O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a soltura do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil), preso em flagrante durante operação da Polícia Federal no Rio de Janeiro. A decisão foi assinada na noite de sexta-feira (10) e a expectativa é de que ele deixe o sistema prisional neste sábado (11).
Canella estava detido desde terça-feira (7), depois que agentes encontraram um fuzil calibre 5,56 mm no veículo em que ele estava, durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na sexta fase da Operação Unha e Carne. Um policial militar detido na mesma ocorrência também teve a prisão substituída.
Moraes substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares. O ex-prefeito deverá usar tornozeleira eletrônica, entregar o passaporte e terá o porte de armas suspenso. Ele responderá ao processo em liberdade. Na decisão, o ministro determinou que a propriedade do armamento seja esclarecida ao longo das investigações.
Operação Unha e Carne
A sexta fase da Operação Unha e Carne apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis no estado do Rio de Janeiro. Segundo a Polícia Federal, o grupo teria movimentado cerca de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. As investigações tiveram início após relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontar movimentações financeiras consideradas atípicas.
Nesta etapa, a PF cumpriu 19 mandados de busca e apreensão na Região Metropolitana do Rio e no interior do estado. Foram apreendidos armamentos, joias, dinheiro em espécie e veículos de luxo. Também houve bloqueio de bens e suspensão de atividades de empresas vinculadas aos investigados.
Canella constava apenas em mandado de busca e apreensão, mas acabou preso em flagrante quando o armamento foi localizado.
Investigação e possíveis crimes
A Polícia Federal considera Canella como um dos elos políticos do esquema investigado. Os investigados podem responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e outras infrações que vierem a ser identificadas durante as apurações.
A operação integra medidas determinadas pelo STF no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como ADPF das Favelas, que atribuiu à Polícia Federal a condução de investigações sobre eventuais vínculos entre agentes públicos e organizações criminosas.
Trajetória política
Márcio Canella iniciou a carreira como vereador de Belford Roxo em 2012. Foi deputado estadual por três mandatos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e, entre 2017 e 2019, licenciou-se para atuar como vice-prefeito do município. Eleito prefeito de Belford Roxo em 2024, Canella renunciou ao cargo em abril deste ano para concorrer ao Senado pelo Rio de Janeiro.



