Janelas fechadas, maior circulação de vírus e contato com cobertores e casacos guardados são gatilhos que podem agravar quadros de asma no inverno, sobretudo entre crianças e adolescentes. A manutenção do tratamento contínuo é apontada como medida essencial para controlar a inflamação das vias aéreas e prevenir crises.
Estima-se que o Brasil tenha cerca de 20 milhões de pessoas com asma, que normalmente apresentam uma ou duas infecções respiratórias por ano. A capacidade de atendimento especializado é limitada, o que torna o manejo das infecções respiratórias na atenção primária ainda mais importante.
Vacinação para doenças respiratórias — como Influenza, Covid-19, vírus sincicial respiratório (VSR) e, em alguns casos, vacinação pneumocócica — contribui para reduzir o risco de inflamações mais graves, hospitalizações e agravamento da asma.
Dados do Departamento de Informática do SUS (Datasus), compilados pela organização Umane, mostram que crianças e adolescentes de 0 a 14 anos responderam por 70,5% das internações por asma em julho de 2024. Foram 4.034 internações naquele mês, ante 2.108 em janeiro. No acumulado de 2024, o Brasil registrou 52.087 internações por asma, com pacientes até 14 anos representando 73,7% do total.
Medidas práticas para reduzir risco de crise em residências incluem manter os ambientes arejados e ensolarados; evitar mofo e umidade; lavar cortinas e minimizar acúmulo de brinquedos e bichos de pelúcia nos quartos infantis; preferir edredons a cobertores pesados guardados; e limpar superfícies com pano úmido ou aspirador em vez de varrer, para diminuir a suspensão de poeira.
Evitar exposição ao fumo — tradicional, eletrônico ou narguilé — é fundamental, já que o fumante passivo aumenta a probabilidade de crises. Orientação precoce das famílias, incluindo início de tratamento preventivo após a primeira internação e instruções sobre planos de ação para crises, reduz a frequência de novas internações e visitas ao pronto-socorro.
No inverno, o maior tempo em ambientes fechados e a aglomeração favorecem a transmissão viral, o que eleva a prevalência de infecções respiratórias e, consequentemente, o número de exacerbações de asma. Distanciamento social e uso de máscaras continuam sendo medidas eficazes para diminuir a circulação de vírus respiratórios.



