sábado, maio 30, 2026
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Jovem relata ter sido agredida com socos e afundada na piscina por Jairinho

A estudante de turismo Kaylane de Oliveira Duarte Pereira, 18 anos, afirmou nesta quinta-feira (28), no quarto dia do júri do caso Henry Borel, ter sido agredida pelo réu Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho. O depoimento foi prestado no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro.

Kaylane é filha de Natasha de Oliveira Machado, ex-namorada de Jairinho. Segundo a testemunha, o contato com o então vereador começou quando ela tinha cerca de três anos, no início do relacionamento dele com a mãe, e se estendeu até por volta dos sete anos. As agressões teriam ocorrido do meio para o fim desse período.

A estudante relatou episódios de violência física sem indicar ter sofrido abuso sexual. Ela descreveu incidentes em uma piscina próxima à garagem de um local que acredita ser um motel, quando teria sido afundada repetidamente com o pé na barriga até tocar o fundo. Kaylane disse não ter apresentado marcas aparentes das agressões e que era orientada a não contar à mãe, sob a justificativa de poupar a mulher de tristeza. Em uma ocasião em que machucou o braço direito, foi instruída a atribuir a lesão às aulas de jiu-jitsu que praticava.

A testemunha declarou ter ouvido do réu comentários de que atrapalhava a vida da mãe e que a convivência seria melhor sem a sua presença. Esse tipo de colocação, conforme o depoimento, teria gerado medo e reações físicas sempre que via o veículo de Jairinho. Kaylane contou ter revelado as agressões à mãe e à avó cerca de um ano após o término do relacionamento da família, motivada por ver um programa de televisão sobre casos semelhantes. Ela afirmou ter sentido culpa por não ter falado antes e ter incentivado a mãe a procurar Leniel Borel, pai de Henry, para colaborar com as investigações.

A pedido da jovem, o depoimento ocorreu sem a presença de Jairinho no plenário. Monique Medeiros, ré no processo pela morte do filho Henry, acompanhou a audiência.

Depoimento da mãe
Natasha Machado informou que se separou do pai de Kaylane cerca de seis meses após o nascimento da filha e que Jairinho foi seu primeiro relacionamento posterior à separação. Ela afirmou não ter identificado marcas físicas na menina e que, desde que tomou conhecimento das agressões, cortou o contato com o ex-parceiro. A mãe confirmou que decidiu em conjunto com a filha procurar Leniel Borel e que o advogado que representa a família no processo contra Jairinho foi indicado por ele.

Natasha relatou suspeitas de ter sido dopada em momentos do relacionamento, descrevendo um episódio em que simulou tomar um comprimido e, durante a madrugada, flagrou Jairinho levantando a criança da cama. Ela contou ainda ter percebido violência psicológica após o término, incluindo a divulgação de uma foto íntima, cuja autoria atribui a Jairinho.

Outras testemunhas
Outra mulher ouviu-se hoje como testemunha e apresentou denúncia de agressões cometidas por Jairinho em processo distinto. Segundo seu relato, ela foi dopada e estuprada em um apartamento onde estavam o vereador e os filhos dela, então com seis e aproximadamente dois a três anos. Em 2021, quando o caso Henry ganhou repercussão, a criança relatou que também teria sofrido violência por parte do réu, incluindo ações para impedir que chorasse e episódios de violência no estacionamento.

A testemunha contou que a criança já havia sofrido fratura no fêmur após ter ido a uma festa acompanhada apenas por Jairinho. A versão apresentada pelo réu teria sido a de que a lesão ocorreu ao descer de um carro; exames, contudo, apontaram fratura grave que exigiu meses de imobilização.

Ainda conforme essa depoente, o relacionamento entre ela e Jairinho durou cerca de seis anos, com episódios de violência física que incluíram chutes, socos, tentativa de enforcamento, arrastamentos e mordidas.

Procedimentos no júri
O defensor de Jairinho, Fabiano Lopes, retornou ao júri nesta quinta-feira após ter se ausentado por um infarto no sábado (23). A presença do advogado era tida como necessária devido à oitiva de testemunhas de outros processos ligados ao réu. O início do dia de audiências, marcado para as 9h, foi atrasado em cerca de uma hora e meia porque um jurado passou mal e precisou de atendimento médico.

No período da tarde, a juíza Elizabeth Machado Louro determinou a retirada do plenário da advogada Selma Blum, sob a alegação de que ela teria tentado ler anotações dos jurados, procedimento vedado em júri. A sessão foi suspensa por alguns minutos enquanto a situação era resolvida.

O caso
De acordo com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e a Polícia Civil, a morte do menino Henry, em março de 2021, foi decorrente de agressões praticadas por Jairinho, enquanto Monique Medeiros teria sido omissa e tinha conhecimento de episódios anteriores de violência. Inicialmente, os dois réus contaram com o mesmo advogado, mas agora cada um possui defesa própria.

Estão arroladas 27 testemunhas de acusação e de defesa. A decisão caberá a sete jurados. A expectativa inicial da Justiça era de que o julgamento durasse cerca de cinco dias.

Acusações
Jairinho responde por homicídio qualificado por meio cruel que impossibilitou a defesa da vítima, três crimes de tortura contra criança, fraude processual e coação no curso do processo. Monique é alvo de sete acusações, entre elas homicídio, coação no curso do processo, tortura e fraude processual.

Reportagem ampliada às 16h32 com novos depoimentos.

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