domingo, maio 31, 2026
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Caravana de saúde leva atendimento a ribeirinhos de Rondônia

A sexta edição da expedição Barco Ciência, Saúde e Cidadania ofereceu atendimento multidisciplinar a ribeirinhos do Baixo Madeira entre 20 e 24 de maio. A ação foi organizada pelo INCT-CONEXAO em parceria com a faculdade Afya São Lucas, de Porto Velho, e contou com mais de 100 participantes — estudantes, professores e pesquisadores — a bordo.

O barco atracou em Calama, Nazaré e São Carlos, levando serviços de saúde, educação e cidadania diretamente às comunidades. Calama, a maior delas, tem cerca de 2,3 mil moradores e foi o principal ponto de atendimento nos dois primeiros dias da missão.

Os serviços incluíram consultas médicas e de enfermagem, oftalmologia, odontologia, biomedicina, nutrição, fonoaudiologia, fisioterapia, psicologia, educação física e apoio jurídico. A organização montou um fluxo de triagem inicial com aferição de peso, altura, índice de massa corporal e pressão arterial, antes do encaminhamento ao serviço indicado.

A oftalmologia foi a demanda mais procurada: foram realizados mais de 200 atendimentos oculares. Em parceria com uma ótica de Porto Velho, a expedição viabilizou a doação de 300 óculos de grau para moradores da região.

A Afya São Lucas transportou no barco infraestrutura para os atendimentos, incluindo cadeiras odontológicas, equipamentos para exame de vista e instrumentos laboratoriais, com possibilidade de liberação imediata de alguns resultados. Equipes também realizaram atendimentos domiciliares para pessoas com mobilidade reduzida.

A reportagem observou dificuldades logísticas que dificultam o acesso a serviços básicos nas comunidades ribeirinhas. Porto Velho tem área territorial de 34.090,952 km², maior que os estados de Alagoas e Sergipe e que países como a Bélgica. A distância em linha reta entre a sede municipal e Calama supera 200 km, atravessando áreas de floresta. O deslocamento depende majoritariamente do transporte fluvial, com trechos que podem levar entre nove e 15 horas, dependendo do sentido da navegação. Há também rotas alternativas que cruzam a divisa com o Amazonas via Humaitá, combinando trechos terrestres e de voadeira.

No percurso fluvial transitam desde pequenas embarcações de moradores até grandes balsas do transporte de cargas, além de dragas associadas a garimpo ilegal, o que reforça a complexidade das viagens e a escassez de infraestrutura local. Essas condições elevam a importância de iniciativas móveis como a expedição, que aproximam diagnostico, tratamento e orientações de saúde a populações com acesso restrito a farmácias, água tratada e serviços médicos regulares.

A expedição também funcionou como campo de prática para os estudantes, proporcionando vivência em cenários de saúde com recursos limitados e demandas distintas das encontradas em ambulatórios urbanos.

A reportagem viajou a convite da Afya São Lucas.

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