O Dia Mundial do Brincar, celebrado em 28 de maio, chama atenção para transformações nas formas de diversão infantil e para a influência crescente das tecnologias digitais no cotidiano das crianças.
Pesquisas realizadas pela Universidade de São Paulo apontam que a exposição excessiva a telas está associada a perda progressiva de criatividade e maior dependência de atividades mediadas por adultos. Um estudo intitulado “Tecnologias digitais moldam o novo brincar infantil”, que avaliou 14 crianças, identificou um ciclo em que o tempo em telas reduz a capacidade de propor brincadeiras fora do ambiente digital, levando novamente ao uso de dispositivos para suprir o ócio.
Organizações como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomendam limites de tempo de tela conforme a faixa etária. Essas orientações se sustentam em evidências sobre efeitos negativos do uso excessivo, entre os quais interferência no desenvolvimento cognitivo, problemas emocionais, distúrbios visuais e auditivos, alterações ortopédicas e risco aumentado de cyberbullying.
As recomendações destacam que aparelhos digitais não devem substituir atividades básicas, como alimentação e sono, e que é necessário monitorar o conteúdo acessado por menores para evitar materiais inapropriados. Ferramentas de controle parental disponíveis no mercado permitem aos responsáveis acompanhar e bloquear conteúdos e funcionalidades, sendo usadas por famílias para limitar a duração do tempo de tela.
Iniciativas comunitárias também têm buscado integrar tecnologia e desenvolvimento social. O projeto Gaming Park, criado em 2022, atende jovens de 8 a 17 anos na Rocinha (Rio de Janeiro) e em Vitória (Espírito Santo). A iniciativa combina ensino multidisciplinar com aspectos narrativos e técnicos dos videogames, realiza ações comunitárias e oferece orientações profissionais e planos de carreira no universo dos esportes eletrônicos. Segundo a organização, os jogos podem servir como ponte para a sociabilidade e como ferramentas pedagógicas quando consumidos de forma contextualizada.
Especialistas e projetos ligados ao tema defendem ampliação do letramento digital e da educação midiática para orientar famílias e crianças sobre consumo crítico de conteúdo, privacidade e checagem de informações. Também há apelos por fiscalização das plataformas digitais, para reduzir práticas que estimulem uso excessivo entre públicos infantis.
A discussão sobre brincar hoje permeia saúde, educação e tecnologia, apontando para a necessidade de equilíbrio entre oportunidades oferecidas pelas telas e experiências práticas fundamentais ao desenvolvimento infantil.



