sexta-feira, maio 29, 2026
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HPV provoca 7,5 mil mortes por câncer anualmente no Brasil

Cânceres associados ao HPV causam cerca de 7,5 mil mortes e 29 mil internações por ano no Brasil, segundo estudo que estimou a carga da doença a partir de dados oficiais. Cerca de 85% das pessoas afetadas são mulheres. A maior parte desses casos poderia ser evitada, por meio da detecção e tratamento de lesões precursoras e, sobretudo, da vacinação.

A pesquisa foi publicada na revista Human Vaccines & Immunotherapeutics e analisou registros do Ministério da Saúde entre 2011 e 2019, período anterior à pandemia de covid-19. Os autores reuniram todas as ocorrências e aplicaram proporções consolidadas pela literatura médica para estimar quantas internações e óbitos foram atribuíveis ao HPV.

O câncer do colo do útero concentrou a maioria dos impactos: respondeu por 74,3% das internações e por 77,3% das mortes atribuídas ao HPV no intervalo estudado. Mesmo assim, cerca de um em cada quatro pacientes desenvolveu tumores em outros locais, totalizando mais de 50 mil internações por cânceres não cervicais associados ao vírus.

Entre os cânceres que mais cresceram no período, o anal registrou aumento de 3,1% nas internações e de 10,9% na mortalidade. O estudo também aponta maior incidência de tumores de cabeça e pescoço em homens, em uma proporção aproximada de quatro para um em relação às mulheres.

A análise temporal revela uma mudança de tendência no câncer do colo do útero: entre 2011 e 2016 houve redução de 4,7% nas internações, mas entre 2016 e 2019 o indicador voltou a subir, com alta de 3,9%. A mortalidade acompanhou padrão similar, com queda de 0,7% no primeiro intervalo e aumento de 1,5% no segundo.

Quanto à idade, as internações por câncer do colo do útero começam a ser expressivas já a partir dos 30 anos. A média de idade das pacientes hospitalizadas foi de 47 anos, cerca de dez anos inferior à média observada para outros tipos de câncer associados ao HPV. A idade média entre as mortes por essa causa foi de 56 anos.

O rastreamento por exame preventivo segue como ferramenta fundamental. Em 2022, o Ministério da Saúde atualizou as diretrizes e passou a recomendar, para todas as mulheres e outras pessoas com útero entre 25 e 64 anos, a realização do teste de DNA-HPV oncogênico, capaz de identificar a presença e o tipo do vírus. Caso o resultado seja negativo, a repetição é indicada apenas após cinco anos; em caso positivo, a pessoa deve ser encaminhada para exames complementares e tratamento quando necessário.

Autoridades de saúde apontam que a combinação de rastreamento organizado, tratamento oportuno e vacinação com cobertura elevada pode levar à eliminação do câncer do colo do útero em cerca de 20 anos.

A vacina contra o HPV foi incorporada ao Sistema Único de Saúde em 2014. Estudos indicam redução na incidência de lesões precursoras e de alguns tipos de câncer nas populações vacinadas. Apesar disso, projeções do Instituto Nacional de Câncer (Inca) estimam mais de 19 mil novos casos por ano no triênio 2026–2028, um aumento de aproximadamente 14% em relação ao período anterior.

A vacinação é recomendada prioritariamente para crianças e adolescentes entre 9 e 14 anos, devido à maior eficácia quando administrada antes do início da atividade sexual. O Ministério da Saúde mantém campanhas de resgate vacinal para jovens de até 19 anos que não receberam as doses na faixa etária recomendada.

Também constam entre as indicações para vacinação pessoas imunodeprimidas, vítimas de abuso sexual, pacientes com papilomatose respiratória recorrente, usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) e pessoas que já tiveram lesões pré-cancerosas de alto grau. Para os demais grupos, a vacina está disponível na rede privada de saúde.

O conjunto de evidências reforça a importância da prevenção precoce: a progressão da infecção por HPV para lesões precursoras e, posteriormente, para câncer costuma ocorrer ao longo de anos, o que torna possível intervenções eficazes se houver cobertura adequada de vacinas e programas de rastreamento.

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