sábado, junho 13, 2026
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Estudo revela desemprego de 24,7% entre mulheres jovens negras

Apesar da melhora recente no mercado de trabalho — com queda do desemprego e aumento de renda para parte da população — mulheres negras jovens continuam registrando os piores resultados em indicadores como desocupação, informalidade, desalento e rendimento.

O diagnóstico consta de relatório da Rede Multiatores MUDE com Elas, elaborado pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert) a partir da PNAD Contínua 2025, do IBGE.

O estudo mostra que, mesmo com avanços em escolaridade e renda, persistem desigualdades estruturais para mulheres entre 14 e 29 anos. Na faixa de 14 a 17 anos, a taxa de desocupação das mulheres negras é de 24,7%, 1,4 vez maior que a dos homens brancos da mesma idade. Entre 18 e 24 anos, a desocupação sobe para 16,5%, 1,6 vez acima da observada entre homens brancos, período identificado como crítico na transição escola-trabalho. Na faixa de 25 a 29 anos, a taxa é de 10,3% para mulheres negras, quase o dobro da de mulheres brancas e 2,8 vezes a dos homens brancos.

O relatório também associa as desigualdades a fatores territoriais: residentes em áreas periféricas enfrentam barreiras adicionais relacionadas à mobilidade, infraestrutura, qualidade de serviços públicos e acesso a redes profissionais.

Renda e informalidade apresentam diferenças pronunciadas. Em 2025, o rendimento médio das mulheres negras equivalia a 46,5% do rendimento dos homens brancos, um desnível de 53,5% que se mantém estável nos últimos anos. A informalidade entre jovens negras alcança 39,1%, cerca de 10 pontos percentuais acima da verificada entre jovens brancas. O grupo mais vulnerável nesse indicador é o de jovens homens negros, com informalidade de 44,2%.

O desalento também é mais intenso entre jovens negras: elas representam 38,7% dos jovens desalentados no país, ante 36,1% dos homens negros. Na faixa de 25 a 29 anos, a participação das mulheres negras entre os desalentados chega a 44,2%.

Na Região Metropolitana de São Paulo os números repetem a desigualdade salarial. Em média, jovens mulheres negras recebem R$ 2.236, contra R$ 3.926 de homens brancos. Entre 25 e 29 anos, os rendimentos médios são de R$ 2.569 para mulheres negras e R$ 5.323 para homens brancos.

O estudo avalia que ações como cotas ajudam, mas não bastam para eliminar as disparidades no ritmo necessário. Recomenda a adoção de políticas públicas estruturantes, com foco em permanência escolar, mobilidade social, proteção social e acesso a posições de liderança.

Entre as medidas apontadas como prioritárias estão:
– cotas raciais e sociais no ensino superior e em concursos públicos;
– programas de permanência estudantil;
– ampliação do acesso à creche e políticas de cuidado;
– programas de qualificação profissional voltados à juventude negra;
– metas de diversidade e inclusão no setor privado;
– fortalecimento da educação para as relações étnico-raciais;
– políticas territoriais para periferias urbanas;
– incentivos à formalização do trabalho;
– programas de transferência de renda articulados à inclusão produtiva.

O relatório também destaca a importância de políticas de reparação e mecanismos de financiamento para ampliar e sustentar essas iniciativas. Conforme o diagnóstico, enfrentar desigualdades raciais exige investimento público, compromisso institucional e participação social para promover uma transição mais justa no mercado de trabalho.

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