Entre 2021 e 2025, mais de 10 milhões de pessoas deixaram a condição de pobreza nas regiões metropolitanas brasileiras, aponta o boletim Desigualdade nas Metrópoles. O levantamento foi elaborado pelo Observatório das Metrópoles em parceria com a Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina (RedODSAL) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), com dados do IBGE.
Em 2025, a taxa de pobreza nas 22 metrópoles monitoradas atingiu 18,4%, o menor patamar da série histórica desde 2012, segundo o estudo.
A renda média domiciliar per capita nas metrópoles alcançou R$ 2.766 em 2025, novo recorde registrado pelo boletim.
No ano passado havia, nas regiões metropolitanas, cerca de 15,2 milhões de pessoas em situação de pobreza (15.188.817), número correspondente a famílias com renda familiar per capita de até R$ 729 por mês. Dessas, 2,6 milhões viviam em extrema pobreza, com renda per capita de até R$ 229 mensais.
A taxa de extrema pobreza no conjunto das metrópoles caiu para 3,2% em 2025 — um nível que, na série analisada, só foi superior aos registrados em 2013 e 2014, aponta o boletim.
A desigualdade de renda também foi destacada. O índice de Gini alcançou 0,511 em 2025. A razão entre os rendimentos dos 10% mais ricos e dos 40% mais pobres mostrou que os integrantes do topo da distribuição receberam, em média, 16,1 vezes mais do que os situados na base, reforçando discrepâncias socioeconômicas entre as metrópoles.
O relatório registra variação regional na distribuição de renda. As metrópoles do Norte e do Nordeste concentram proporcionalmente mais pessoas em situação de pobreza do que as do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O Distrito Federal apresentou renda média mensal de R$ 4.401 em 2025, valor 2,7 vezes superior à média da Região Metropolitana de São Luís (R$ 1.616).
Foram analisadas 22 regiões metropolitanas: Manaus, Belém, Macapá, São Luís, Fortaleza, Natal, João Pessoa, Recife, Maceió, Aracaju, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Vale do Rio Cuiabá, Goiânia, o Distrito Federal e a Região Administrativa Integrada de Desenvolvimento de Teresina (PI).
As 22 regiões cobrem cerca de 300 municípios. Aproximadamente quatro em cada dez brasileiros vivem nessas áreas metropolitanas.



