O emprego entre pessoas com 60 anos ou mais tem crescido no Brasil em ritmo superior ao de outros grupos, mas esse avanço ocorre principalmente em vagas informais, sem carteira assinada nem proteção trabalhista.
Levantamento da Nexus, com base na PNAD Contínua do IBGE, mostra que, entre 2016 e 2025, o total de pessoas com 60 anos ou mais passou de 25,8 milhões para 35,2 milhões, subindo de 13% para 17% da população. No mesmo período, o contingente de trabalhadores nessa faixa etária aumentou 53%, de 5,7 milhões para quase 8,8 milhões.
Ao fim de 2025, 25% das pessoas com 60 anos ou mais estavam ocupadas, patamar superior aos 22% registrados em 2016 e o maior da última década.
No recorte da população total, o país cresceu 5% entre 2016 e 2025, de 203,2 milhões para 212,6 milhões de habitantes. O número de empregos subiu 14,6% no período, e o Brasil contabilizava, ao fim de 2025, praticamente 103 milhões de trabalhadores.
A pesquisa usa os critérios da PNAD Contínua, que investiga a população de 14 anos ou mais e considera todas as formas de ocupação — com ou sem carteira, temporário, por conta própria — e classifica como desocupada apenas a pessoa que efetivamente procurou trabalho.
Mudanças nas regras de aposentadoria também marcam o período. A reforma da Previdência de 2019 elevou a idade mínima e o tempo de contribuição exigidos: mulheres passaram a precisar de 62 anos e 15 anos de contribuição; homens, 65 anos e 20 anos de contribuição. Antes da reforma, mulheres podiam se aposentar aos 60 anos e não havia idade mínima para aposentadoria por tempo de contribuição.
O estudo destaca ainda a prevalência da informalidade entre os idosos no mercado de trabalho: 53% dos ocupados com 60+ estão em situação informal, contra 38% na população geral e 41% entre jovens de 18 a 24 anos. O IBGE considera informais empregados sem carteira assinada e autônomos sem CNPJ, entre outros casos. Nessas condições, trabalhadores não têm garantias como férias remuneradas, contribuição previdenciária regular e décimo terceiro salário.
Como desfecho, a pesquisa aponta a necessidade de políticas públicas voltadas à formalização do emprego e de uma revisão das estruturas empresariais em áreas como ergonomia, benefícios e inclusão geracional, para enfrentar os desafios da crescente participação dos idosos no mercado de trabalho.



