sábado, junho 13, 2026
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Piora na saúde dos oceanos desregula o clima e ameaça o litoral brasileiro

A Terceira Avaliação Global dos Oceanos, divulgada pela ONU, alerta para o rápido agravamento da saúde dos mares e para os impactos diretos sobre a economia e a segurança do Brasil.

Um dos autores do relatório é o pesquisador marinho Ronaldo Christofoletti. O estudo registra que os últimos quatro anos apresentam recordes de degelo na Antártica.

Segundo a avaliação, a taxa de elevação do nível do mar aumentou mais de 50% nos últimos quatro anos, alcançando 4,3 milímetros por ano. O fenômeno representa ameaça aos mais de 8 mil quilômetros da costa brasileira, incluindo capitais, e já se reflete em episódios de erosão costeira em algumas regiões.

O relatório também aponta que o degelo polar altera a dinâmica entre a umidade da Amazônia e as frentes frias vindas da Antártica, com potencial para intensificar eventos climáticos extremos, como os registrados recentemente no Rio Grande do Sul e em áreas do Sudeste.

Nos últimos quatro anos, triplicou o número de espécies marinhas encontradas com microplásticos no organismo. Além disso, 56 substâncias farmacêuticas foram detectadas no oceano, associadas a descarte inadequado e à presença de fármacos na rede de esgoto.

A publicação enfatiza a necessidade de investimentos em ciência para enfrentar a crise climática e garantir a segurança alimentar. O documento também destaca que o leito marinho é pouco conhecido — comparado em desconhecimento à superfície lunar — e pode abrigar matéria-prima para novos medicamentos e minerais raros úteis a tecnologias. Segundo o relatório, qualquer exploração desse potencial só poderá ser sustentável com base em conhecimento científico aprofundado.

O diagnóstico da ONU reforça a urgência de políticas públicas e pesquisas direcionadas à proteção dos oceanos e à preparação para os efeitos sobre populações e setores econômicos.

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