Esta segunda-feira (25) é o Dia da África, data que coincide com um período de intensificação das relações entre Brasil e países africanos durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A aproximação tem objetivo de diversificar parceiros comerciais e reforçar laços culturais, diplomáticos e científicos.
Desde 2023 o presidente Lula realizou sete viagens ao continente — duas delas à África do Sul e outras a Angola, São Tomé e Príncipe, Egito, Etiópia e Moçambique. No mesmo período, o Brasil assinou acordos com nações africanas em áreas como agricultura, aviação civil, defesa, saúde, educação e turismo.
Em Brasília, o presidente recebeu seis chefes de Estado africanos, incluindo os presidentes Patrice Talon (Benim), Bola Tinubu (Nigéria) e João Lourenço (Angola), ocasião em que foram firmados tratados e memorandos de entendimento.
Vínculos históricos
O Brasil foi o principal destino de africanos escravizados nas Américas, com estimativa de cerca de 4,8 milhões de pessoas entre os séculos 16 e 19, de um total aproximado de 12 milhões subtraídos do continente africano.
A relação com Angola remonta ao período colonial e foi marcada por forte interação comercial entre portos como Luanda e Benguela. Em abril, o Ministério da Cultura firmou acordos com Angola para integrar arquivos históricos sobre a escravidão e ampliar cooperação nas áreas culturais e artísticas.
Atividades institucionais
O Itamaraty promoveu na data um seminário sobre parcerias Brasil-África. Também nesta segunda-feira o presidente participa do 1º Fórum de Reitores Brasil-África, organizado pelo Ministério da Educação.
Na cerimônia no Itamaraty esteve presente o decano do corpo diplomático africano em Brasília, embaixador de Camarões Martin Agbor Mbeng. Em âmbito internacional, o Brasil votou na Assembleia Geral da ONU em reconhecimento da escravidão de africanos como crime de extrema gravidade.
Comércio e números
Em 2025 a África representou 5,70% do fluxo comercial brasileiro, totalizando US$ 23,7 bilhões, com superávit de US$ 7,2 bilhões a favor do Brasil. Em comparação, a Europa respondeu por 31,95% do comércio externo brasileiro e a América do Sul por 17,28%.
Os dados mostram crescimento do comércio entre Brasil e África desde 2020: alta de 52% no período, apesar de uma retração de 2,3% em 2025 frente a 2024. Em relação a 2023, houve aumento de 16%.
Energia e financiamento
O governo tem defendido maior participação de empresas estatais e de desenvolvimento em projetos internacionais. Em novembro de 2025, durante visita a Moçambique, o presidente Lula reiterou a intenção de ampliar a atuação da Petrobras e do BNDES no continente por meio de investimentos e parcerias.
Ciência e tecnologia
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações relançou o Programa de Cooperação Afro-Brasileira em Ciência e Tecnologia (ProÁfrica), iniciativa do CNPq que receberá R$ 25 milhões para fortalecer colaboração científica entre Brasil e países africanos. O programa estava sem chamadas públicas desde 2011.
Em abril, o MCTI publicou outro edital com aporte de R$ 50 milhões para capacitar cerca de 2 mil técnicos, pesquisadores, estudantes e agricultores em ações voltadas à produtividade agrícola e à segurança alimentar.
Os investimentos e programas anunciam foco em temas como meio ambiente, sustentabilidade, alimentação, agricultura, energia, recursos naturais, saúde e cultura, reforçando a agenda de cooperação bilateral.



