O boletim InfoGripe, da Fiocruz, aponta situação preocupante em Mato Grosso e no Maranhão e indica que 18 estados, além do Distrito Federal, permanecem em alerta, risco ou alto risco para a ocorrência de casos graves de síndromes gripais. Em 13 dessas unidades é observada tendência de aumento nos próximos semanas.
Acre, Tocantins, Bahia e Pernambuco estão no patamar de risco nas últimas semanas e devem apresentar piora do cenário.
Em nível nacional, a tendência de longo prazo é de estabilidade, com sinais de interrupção do crescimento e queda de casos em algumas localidades, sobretudo dos causados por influenza A e rinovírus. Esses dois vírus figuram entre os mais detectados nas últimas semanas.
A síndrome respiratória aguda grave (SRAG) ocorre quando sintomas gripais — como febre, coriza e tosse — evoluem para dificuldade respiratória que exige hospitalização. O gatilho é, na maior parte das vezes, infecção viral, embora nem sempre o agente seja identificado em exames.
Três agentes principais da SRAG têm vacinas ofertadas pelo SUS: influenza A, influenza B e covid-19. A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza está em curso, com prioridade para crianças de 6 meses até menores de 6 anos, idosos e gestantes.
A vacinação contra a covid-19 está prevista para começar aos 6 meses de idade, com doses de reforço recomendadas para idosos, gestantes, pessoas com deficiência, com comorbidade ou imunossuprimidas e outros grupos vulneráveis. Desde o ano passado, o Ministério da Saúde também passou a oferecer vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) para gestantes, com a finalidade de proteger recém-nascidos, público mais afetado pela bronquiolite.
Profissionais de saúde e pessoas em grupos de maior risco são incentivados a atualizar a cobertura vacinal. Autoridades de saúde orientam que pessoas com sintomas respiratórios permaneçam em isolamento; caso precisem sair, recomenda-se o uso de máscara de boa qualidade.
Dados do período mostram 31.768 notificações de SRAG no país neste ano. Cerca de 13 mil casos tiveram confirmação laboratorial para algum vírus respiratório, com a seguinte distribuição: 42,9% por rinovírus, 24,5% por influenza A, 15,3% por vírus sincicial respiratório, 11,1% por covid-19 e 1,5% por influenza B.
Foram registradas 1.621 mortes por SRAG no ano, das quais 669 tiveram exame positivo para algum agente. Entre esses óbitos com confirmação laboratorial, 33,5% foram atribuídos à covid-19, 32,9% à influenza A, 22,7% a rinovírus, 4,8% ao vírus sincicial respiratório e 2,8% à influenza B.



