Nesta quarta-feira (27), data dedicada ao Dia da Mata Atlântica, foi lançada oficialmente em São Paulo a Aliança dos Povos e Comunidades Tradicionais Guardiões da Mata Atlântica. A articulação reúne sete fóruns regionais e a Comissão Guarani Yvyrupa, em uma primeira mobilização formal dessas entidades.
O lançamento ocorreu no Largo São Francisco, no centro da capital paulista, e reuniu lideranças de territórios ancestrais de diferentes regiões do bioma. Entre os presentes estavam representantes da Aldeia Rio Bonito, em Ubatuba (SP), e do Quilombo Porto da Areia, em Estância (SE).
Organizadores afirmaram que a aliança tem como objetivo fortalecer a capacidade de atuação conjunta das comunidades diante de ameaças territoriais. Entre os problemas apontados estão a especulação imobiliária, o crescimento de residências de veraneio em áreas tradicionais e a pressão de grandes empreendimentos sobre territórios indígenas e quilombolas.
Também foram destacadas as consequências do modelo turístico predatório, com implantação de resorts que, segundo representantes locais, contribuem para a degradação de mata e manguezais e alteram as formas tradicionais de subsistência, como a pesca.
A deputada federal e ex-ministra dos Povos Indígenas Sonia Guajajara participou do evento. Ela chamou atenção para os impactos do desmatamento e da mineração e fez um alerta sobre a crescente pressão internacional por exploração de terras raras — minerais demandados pela transição energética — ressaltando a necessidade de salvaguardas e de processos que respeitem direitos e consultas às comunidades.
Contexto ambiental: na época da colonização portuguesa, a Mata Atlântica cobria cerca de 15% do território brasileiro, em 17 estados. Hoje restam pouco mais de 12% da vegetação original do bioma. Apesar da redução, a floresta abriga aproximadamente 20 mil espécies de plantas e mais de 2 mil espécies de animais.
Com colaboração de Elaine Patrícia Cruz.



