terça-feira, maio 12, 2026
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Novo Desenrola aponta que juros altos pressionam dívidas das famílias

Economistas apontam que a combinação da elevada taxa Selic e dos altos spreads bancários no Brasil tem pressionado o endividamento das famílias. O cenário motivou o governo a lançar nesta semana o programa Novo Desenrola Brasil.

O spread bancário, diferença entre os juros que os bancos pagam e os que cobram dos clientes, foi de 34,6 pontos percentuais em março, ante 29,7 p.p. no mesmo mês de 2025. Para comparação, o Banco Mundial estima um spread médio global em torno de 6 p.p.

Em termos de juros reais, o Brasil registra 9,3%, ficando atrás apenas da Rússia, com 9,6%. O México aparece em terceiro lugar, com 5,0%, segundo levantamento do site especializado Moneyou.

Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central reduziu a Selic em 0,25 p.p., para 14,5%. Apesar do corte, a taxa continua em patamar considerado elevado; o BC afirma que o nível é necessário para conter a inflação, enquanto críticos questionam seu grau.

Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que, pelo quarto mês seguido, a parcela de famílias com dívidas cresceu e alcançou 80% em abril, nova máxima histórica. A inadimplência ficou em 29,7%, em relativa estabilidade. Entre domicílios com renda de até três salários mínimos, o endividamento atingiu 83,6% e as contas em atraso, 38,2%.

Levantamento da World Open Data, com dados de 2024, coloca o Brasil como o país com os maiores spreads bancários do mundo, seguido por República Tcheca, Sudão do Sul, Serra Leoa, Moçambique, Angola, Ucrânia e Timor-Leste. Dados do Banco Central de março indicam que a taxa média de juros cobrada às pessoas físicas foi de 61% ao ano, enquanto para empresas a média foi de 24% ao ano. Os juros do rotativo do cartão de crédito podem ultrapassar 400% ao ano.

O Novo Desenrola Brasil foi apresentado pelo governo como mecanismo para facilitar a renegociação de dívidas de famílias, estudantes e pequenos empreendedores, limpar o nome e restabelecer o acesso ao crédito. A nova fase da iniciativa terá duração de 90 dias e prevê descontos de até 90%, redução de juros e possibilidade de uso do FGTS para abatimento de débitos.

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