Os Estados Unidos ampliaram a pressão econômica sobre Cuba ao aplicar novas sanções contra a empresa estatal Gaesa (Grupo de Administración Empresarial S.A.) e contra a joint venture Moa Nickel (MNSA), formada pela Companhia Geral de Níquel de Cuba e pela canadense Sherritt International.
Em consequência das medidas, a Sherritt informou a suspensão imediata de suas operações em Cuba e comunicou aos parceiros cubanos a ruptura do contrato da joint venture.
A Gaesa, administrada pelas Forças Armadas cubanas, é um conglomerado que atua em setores como construção civil, produção de alimentos e hotelaria. A presidente da corporação, Ania Guillermina Lastres Morera, foi incluída na lista de sancionados. Lastres Morera é general de brigada, economista, deputada da Assembleia Nacional desde 2018 e dirige a Gaesa desde 2022.
O governo dos EUA justificou as medidas alegando questões de segurança nacional e citou suspeitas sobre o papel de Cuba no abrigo de instalações adversárias estrangeiras voltadas à obtenção de informações sensíveis. As sanções foram autorizadas com base em uma nova Ordem Executiva assinada pelo presidente Donald Trump em 1º de maio.
As medidas se somam a outras iniciativas de pressão econômica dos Estados Unidos, entre elas um bloqueio naval previsto contra a Venezuela a partir do final de 2025 que impede a venda de petróleo para Cuba, e a ameaça de aplicação de tarifas a países que vendam combustível à ilha, anunciada em janeiro. Relatos e análises indicam que medidas anteriores chegaram a deixar Cuba cerca de três meses sem abastecimento de petróleo.
Especialistas e levantamentos apontam impactos já observados no país: aumento de apagões, elevação de preços de itens básicos, redução do transporte público e queda na oferta da cesta básica subsidiada pelo Estado.
No plano internacional, a maioria dos países da Assembleia Geral da ONU, incluindo o Brasil, historicamente condena o embargo econômico imposto pelos EUA a Cuba, em vigor desde 1959. Analistas ressaltam que o endurecimento recente das sanções insere-se no contexto de uma política de longa data de pressão econômica e política sobre o governo cubano.



