sábado, junho 13, 2026
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Ministério da Saúde suspende uso da vacina contra dengue do Instituto Butantan

O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da estratégia de aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan.

A medida foi tomada após registro de 42 casos com sinais de alerta após a vacinação. Entre esses pacientes, três foram internados e dois evoluíram para óbito. As autoridades afirmam que ainda não há conclusão sobre causalidade entre a vacina e os eventos adversos e que os episódios serão investigados.

A descontinuação vale apenas para o imunizante produzido pelo Butantan. A vacina Qdenga, do laboratório Takeda, não está incluída na suspensão e segue disponível no Sistema Único de Saúde (SUS).

Até 30 de maio, pouco mais de 500 mil doses da vacina do Butantan haviam sido aplicadas no país. Desses, 3.703 pessoas apresentaram sintomas semelhantes aos da dengue (aproximadamente 0,7% dos vacinados). Os 42 casos com sinais de alarme — como dor abdominal, vômitos persistentes ou sangramento — corresponderam a cerca de 0,008% do total.

Dos três internados, um caso evoluiu com choque e necessidade de UTI, com alta posterior. Outros dois casos, um homem de 58 anos e uma mulher de 48 anos, tiveram evolução grave e terminaram em óbito; em um dos casos houve comprometimento neurológico identificado como meningoencefalite.

A vacinação com a vacina do Butantan havia sido incorporada ao PNI em janeiro e aplicada inicialmente em cidades-piloto para avaliar o impacto populacional: Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). Também houve ação de vacinação na região de Araguaína (TO). O público-alvo nesses municípios é composto por pessoas de 15 a 59 anos, faixa aprovada pelo Programa Nacional de Imunizações. Em fevereiro, o SUS também passou a vacinar profissionais de saúde da atenção primária, com previsão de atingir 1,2 milhão de trabalhadores; os casos graves identificados estão nesse público.

A recomendação de suspensão partiu de análise do Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e outros Imunobiológicos (Cifavi) e da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunizações (Ctai), que compõem a rotina de vigilância do PNI.

O Ministério informou que serão aprofundadas investigações sobre histórico clínico, doenças preexistentes, fatores individuais de risco, causas alternativas, possíveis desvios de qualidade do produto e erros de imunização. Pessoas vacinadas pelo Butantan nos últimos 21 dias receberão acompanhamento especial para detectar quaisquer reações adversas.

A orientação é procurar unidade de saúde caso surjam sintomas como febre, dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência intensa, irritabilidade, sinais de desidratação ou piora do estado geral.

O Instituto Butantan comunicou a interrupção temporária da vacinação para reavaliação da estratégia e garantia da segurança da população nas próximas etapas. Em comunicado técnico, a instituição informou que, em estudo publicado em revista científica internacional, a vacina apresentou eficácia global de 79,6% e 89% contra dengue grave. Nos três municípios com vacinação em massa, os sistemas de farmacovigilância não identificaram, até então, reações adversas de grande magnitude na população.

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