Mato Grosso do Sul registrou a menor área de desmatamento sem licença ambiental nos últimos sete anos entre as unidades da federação, segundo o Relatório Anual de Desmatamento 2026 do MapBiomas.
Entre 2019 e 2025, o estado teve 368.931 hectares de vegetação nativa suprimidos. Deste total, 277.357 hectares estavam com autorização ambiental, conforme cruzamento de dados do MapBiomas com as licenças emitidas pelo Imasul — o que representa 75,2% do desmatamento no período, o maior percentual entre os estados.
O monitoramento indica aumento do controle sobre práticas autorizadas ao longo dos anos. Em 2019, áreas suprimidas com autorização correspondiam a 31,6% do total; em 2025 esse percentual subiu para 94,3%.
No bioma Pantanal, mais de 84% da cobertura vegetal nativa permanece preservada. Em 2025 o Pantanal registrou 163 alertas de desmatamento, o segundo menor número entre os biomas brasileiros, e 12.260 hectares suprimidos. Desse total, 10.042 hectares contavam com licença ambiental, segundo o MapBiomas.
Mato Grosso do Sul concentra cerca de dois terços da área total do Pantanal. Desde fevereiro de 2024, a Lei do Pantanal alterou normas sobre conservação, proteção, restauração e exploração sustentável na Área de Uso Restrito do Pantanal (AUR-Pantanal).
A legislação incluiu como áreas de proteção permanente (APP) landis, salinas, veredas, meandros abandonados, além de proteger capões e cordilheiras com vegetação arbórea-arbustiva. A lei proibiu o plantio de soja, cana-de-açúcar, eucalipto e outras culturas exóticas, com exceção das áreas onde o cultivo já esteja consolidado — nesses casos, não é permitida expansão ou rotação e o replantio depende de licenciamento ambiental.
A norma permite a pecuária extensiva desde que não cause degradação ambiental e mantém exceções para a agricultura familiar e para cultivos não destinados ao comércio, como forragem.
O governo estadual também implantou o Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) para incentivar a preservação. Produtores rurais podem receber recursos ao abrir mão de licenças de supressão ou ao se comprometerem a não desmatar áreas para as quais tinham direito legal.
No primeiro edital do PSA Conservação e Valorização da Biodiversidade, 40 produtores foram contemplados com R$ 2.961.274,95 para preservar 112.098,79 hectares de vegetação nativa excedente. O segundo edital está em andamento: todas as 23 inscrições foram deferidas e as propriedades passam por avaliação técnica da Semadesc, com resultado final previsto para meados de julho.



