Convidados para a cúpula do G7 na França, Brasil e Quênia rechaçaram críticas às parcerias que países em desenvolvimento mantêm com a China e defenderam os acordos econômicos firmados com Pequim.
Um dos documentos divulgados pelo encontro apontou que a China estaria contribuindo para um desequilíbrio na economia global, afetando tanto a União Europeia quanto os Estados Unidos. No texto, as potências do G7 destacaram projeções de superávit em conta corrente da China de US$ 1,2 trilhão em 2025 e um padrão de consumo considerado persistentemente baixo.
Em encontros com os chefes de Estado do G7, representantes do Brasil e do Quênia sustentaram que muitos países da América Latina e da África veem nas parcerias com a China oportunidades econômicas, já que investidores chineses têm se destacado em investimentos na região. A avaliação apresentada pelos convidados apontou que, em setores como transporte, energia e indústria, a presença chinesa tem sido mais visível do que a de parceiros europeus e norte-americanos.
O G7, formado por França, Reino Unido, Alemanha, Estados Unidos, Japão, Itália e Canadá, contou nesta edição com convidados adicionais: Brasil, Quênia, Índia, Coreia do Sul e Egito.
Nos últimos 20 anos, a ascensão econômica chinesa tem sido aproveitada por países africanos para avançar em projetos de infraestrutura e desenvolvimento. Na América Latina, a China assumiu papel de principal parceiro comercial de grande parte das nações da região. Em resposta a essa dinâmica, Washington tem reiterado a intenção de reafirmar sua influência no hemisfério ocidental.
Desequilíbrios setoriais e câmbio
O documento do G7 sobre desequilíbrios macroeconômicos manifestou preocupação com a concentração de vantagens chinesas em setores específicos, como terras raras e veículos elétricos, e com a possibilidade de distorções no comércio global decorrentes de movimentos cambiais. Segundo o texto, a desvalorização do renminbi estaria contribuindo para favorecer as exportações chinesas, e haveria espaço para maior flexibilidade na taxa de câmbio da moeda chinesa.
Assinaturas do Brasil
Dos nove textos aprovados no G7, o Brasil assinou três: medidas de combate ao câncer; proteção de crianças e adolescentes nas redes sociais; e um documento sobre ações contra o narcotráfico que não associa o tráfico de drogas ao terrorismo. O governo brasileiro afirmou que a ligação entre tráfico e terrorismo poderia servir de pretexto para intervenções externas, razão pela qual não subscreveu outros itens. Segundo o Palácio do Planalto, os demais textos refletem uma “visão de mundo” própria do G7, distinta das perspectivas de países em desenvolvimento.



