terça-feira, setembro 22, 2026

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Estudo aponta estratégias para impulsionar a economia verde no Nordeste

# Projeto mapeia caminhos para economia de baixo carbono no Nordeste

Uma iniciativa passou a percorrer os nove estados do Nordeste para identificar setores produtivos, oportunidades econômicas e competências que possam apoiar a transição regional para uma economia de baixo carbono.

Batizado de Futuros Verdes no Nordeste, o projeto é desenvolvido pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS) e pelo Centro de Estudos e Sistemas Avançados de Recife (CESAR). O trabalho prevê a escuta de especialistas e representantes do setor produtivo para orientar estratégias adaptadas às diferentes realidades da região.

Além de levantar atividades com potencial sustentável, o mapeamento busca apontar necessidades de qualificação profissional. A meta é preparar trabalhadores para novas exigências geradas pelas mudanças climáticas e pela transformação dos modelos de produção.

O Nordeste concentra vulnerabilidades ambientais relevantes. Dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) indicam que a caatinga está entre os biomas mais ameaçados pela desertificação no mundo.

Em 2025, Maranhão, Piauí e Bahia estiveram entre os cinco estados brasileiros com maior área desmatada, segundo o MapBiomas. A região também reúne quatro das sete cidades do país mais expostas à elevação do nível do mar, de acordo com a Climate Central: Recife, São Luís, Fortaleza e Salvador.

Ao mesmo tempo, o Nordeste possui participação central na produção nacional de energia renovável. A região responde por 92% da geração eólica do país e abriga cinco das dez maiores usinas solares brasileiras. O turismo também se destaca como fonte de receita em diversos estados nordestinos.

Entre os segmentos considerados estratégicos estão a bioeconomia, o uso sustentável da biodiversidade da caatinga, a biomassa, a produção de etanol e a expansão das fontes solar e eólica. No entanto, a conversão desse potencial em desenvolvimento depende de fatores como infraestrutura, linhas de transmissão, regulamentação, mercado consumidor, viabilidade técnica e organização das cadeias produtivas.

A qualificação de profissionais é outro eixo do projeto. A adaptação de cursos e formações complementares é apontada como necessária para atender à procura por trabalhadores em áreas ligadas à descarbonização, à sustentabilidade e às chamadas ocupações verdes.

O avanço dessas atividades também exige rapidez no planejamento. A adoção de práticas produtivas mais sustentáveis passou a ganhar peso na competitividade das empresas, especialmente diante de regras ambientais estabelecidas por mercados internacionais, como a União Europeia.

O projeto busca contribuir para que os recursos naturais e as capacidades produtivas do Nordeste sejam transformados em cadeias econômicas sustentáveis antes que a degradação ambiental reduza essas possibilidades.

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