segunda-feira, novembro 2, 2026

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Economista do Plano Real critica BC por ampliar rombo fiscal com juros altos

**André Lara Resende atribui avanço da dívida pública ao custo dos juros**

Um artigo do economista André Lara Resende, integrante da equipe que formulou o Plano Real, ganhou repercussão ao questionar a política de juros do Banco Central (BC) e relacionar o aumento da dívida pública ao custo do serviço da dívida.

Formado pela PUC-Rio e doutor em Economia pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, Lara Resende também foi diretor do Banco Central e presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

No texto, o economista contesta a manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano. Segundo levantamento da Moneyou citado no artigo, o Brasil registra a maior taxa de juros real do mundo.

O Banco Central sustenta que juros elevados são necessários para conter a inflação. Entre os fatores apontados pela instituição estão o aquecimento da atividade econômica e do mercado de trabalho, além da trajetória das despesas públicas e das incertezas em relação à dívida do país.

Pela avaliação do BC, déficits primários — quando as despesas do governo superam as receitas, sem considerar os gastos com juros da dívida — podem pressionar a inflação. As atas do Comitê de Política Monetária (Copom) também indicam que a perda de disciplina fiscal, a expansão do crédito direcionado e dificuldades para estabilizar a dívida podem elevar os juros.

Lara Resende reconhece problemas na alocação de recursos públicos, incluindo emendas parlamentares, benefícios salariais no Judiciário e renúncias tributárias. Ainda assim, o economista destaca que o déficit primário brasileiro tem permanecido em patamar reduzido, enquanto o resultado nominal é impactado principalmente pelas despesas financeiras.

A dívida pública passou de 71,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022 para cerca de 82,9% do PIB em agosto de 2026, conforme os dados mencionados no artigo. Nos últimos 12 meses, os gastos com juros superaram R$ 1,1 trilhão, o equivalente a 8,9% do PIB.

O texto aponta que a redução de despesas primárias, que inclui gastos com serviços públicos e políticas sociais, não seria suficiente para interromper a alta da dívida em relação ao PIB sem uma diminuição da taxa básica de juros.

Como alternativa, Lara Resende propõe um novo modelo fiscal e monetário, com metas de inflação e de juros anunciadas conjuntamente para períodos de quatro a cinco anos. Pela proposta, a taxa básica ficaria em uma faixa entre a meta de inflação, de 3%, e o crescimento nominal potencial da economia.

O economista também defende a possibilidade de atuação do Banco Central no mercado de câmbio para conter desvalorizações mais intensas do real. O país possui mais de US$ 350 bilhões em reservas internacionais, segundo os dados citados no artigo.

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