# Aneel leiloa oito projetos de transmissão com previsão de R$ 8,9 bilhões em investimentos
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realizou nesta sexta-feira (30), na B3, em São Paulo, o último leilão de transmissão de energia de 2023. O certame contratou oito lotes de empreendimentos em sete estados, com investimentos estimados em R$ 8,9 bilhões.
Os projetos envolvem a construção de 1.866 quilômetros de novas linhas de transmissão e seccionamentos, além da continuidade de 483 quilômetros de estruturas já existentes. Também estão previstos 12.694 megavolt-amperes (MVA) de capacidade de transformação.
As obras serão distribuídas entre Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rondônia e São Paulo. A expectativa é de geração de mais de 20,3 mil empregos diretos e indiretos. Os contratos de concessão terão validade de 30 anos, enquanto os prazos de implantação variam de 42 a 60 meses.
O leilão registrou descontos de até 57,08% sobre os valores máximos de Receita Anual Permitida (RAP), remuneração recebida pelas empresas pela operação das redes de transmissão.
A Celeo Redes Brasil arrematou os lotes 4 e 8. A Cymi Construções e Participações venceu os lotes 3 e 5, enquanto a Neoenergia ficou com os lotes 1 e 7. A Cox Brasil venceu o lote 6 e a EDP ficou com o lote 2.
O lote 4, de maior porte, reúne empreendimentos no Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás. A Celeo apresentou RAP de R$ 377,1 milhões, com desconto de 50,55%. O pacote prevê R$ 4,113 bilhões em investimentos, 1.167 quilômetros de linhas e cerca de 8.225 empregos. As instalações devem reforçar o fornecimento no Mato Grosso do Sul e aumentar a capacidade de escoamento da geração de energia.
Em São Paulo, o lote 3 foi arrematado pela Cymi, com proposta de RAP de R$ 78,7 milhões e deságio de 57,08%, o maior do certame. O projeto, voltado ao reforço do sistema na região metropolitana da capital, deve receber R$ 1,071 bilhão, incluir 45 quilômetros de linhas e gerar 2.676 empregos.
A Neoenergia venceu o lote 1, na Bahia, após disputa em viva-voz que teve 150 lances. A empresa ofertou RAP de R$ 59,85 milhões, com redução de 51,21% em relação ao teto. O empreendimento integra o conjunto de obras previsto para reforçar o sistema elétrico no sul e centro-sul baiano.
No Paraná, a Cymi arrematou o lote 5, com 173 quilômetros de extensão, ao oferecer R$ 96,4 milhões de RAP e desconto de 46,36%. Já o lote 6, destinado a instalações em Santa Terezinha do Itaipu, foi vencido pela Cox Brasil, com RAP de R$ 37,85 milhões e deságio de 53,46%.
Os dois projetos paranaenses somam R$ 1,46 bilhão em investimentos, 177 quilômetros de linhas e previsão de 3.336 postos de trabalho. As intervenções devem beneficiar a região metropolitana de Curitiba e áreas do oeste e sudoeste do estado.
Na Paraíba, a Neoenergia conquistou o lote 7, com proposta de RAP de R$ 68 milhões e desconto de 38,55%. Considerados em conjunto, os lotes 1, da Bahia, e 7, da Paraíba, reúnem investimentos de R$ 1,16 bilhão, 351 quilômetros de novas linhas e 3.132 empregos previstos.
Em Rondônia, a Celeo venceu o lote 8, com oferta de R$ 66,66 milhões de RAP e deságio de 48,02%. O projeto prevê R$ 753,2 milhões em investimentos e 2.151 empregos, com intervenções na Subestação Coletora Porto Velho. A iniciativa busca fortalecer a estabilidade da transmissão de energia para Acre e Rondônia.
O lote 2, que conecta Bahia e Goiás, foi arrematado pela EDP. A proposta foi de R$ 26,53 milhões de RAP, com desconto de 53,29%. Estão previstos R$ 317 milhões em investimentos, 126 quilômetros de linhas e 792 empregos, com foco na ampliação do atendimento ao nordeste goiano.
De acordo com dados do Ministério de Minas e Energia, os leilões de transmissão já realizados ou previstos entre 2023 e 2026 mobilizam R$ 69,64 bilhões em investimentos estimados. Corrigido pelo IPCA, o valor chega a R$ 77,54 bilhões.



