domingo, novembro 1, 2026

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Estudo reforça a importância de proteger a soja contra perdas

# Falta de controle fitossanitário pode reduzir produtividade da soja em até 55%, aponta estudo

Um levantamento da Universidade Federal de Viçosa (UFV), realizado em parceria com a CropLife Brasil, estima que a ausência de proteção contra pragas, doenças e plantas daninhas pode derrubar em até 55% a produtividade das lavouras de soja no país.

A pesquisa avaliou os efeitos de quatro doenças, incluindo ferrugem-asiática e mancha-alvo, cinco pragas, como a mosca-branca, e nove espécies de plantas daninhas.

Foram comparados três cenários: ausência de manejo fitossanitário, controle parcial — com proteção de até 40% — e controle considerado ideal, com eficiência de 80%.

No cenário de maior proteção, a produtividade poderia alcançar 72 sacas por hectare. Com controle parcial, a estimativa é de 52 sacas por hectare, volume 28% inferior. Sem medidas de controle, a produção cairia para 32 sacas por hectare.

Segundo a simulação, a falta de manejo exigiria o plantio de mais 33,5 milhões de hectares para compensar a perda de produção, área próxima à extensão territorial de Goiás. A redução média poderia chegar a 121,3 milhões de toneladas, com prejuízo estimado em R$ 223,5 bilhões.

As exportações brasileiras de soja poderiam render US$ 44,2 bilhões por safra no cenário de controle mais eficiente. Sem proteção fitossanitária, a receita projetada seria de US$ 26,6 bilhões, diferença de US$ 17,6 bilhões.

O estudo também aponta que a menor oferta poderia provocar elevação de até 49% no preço da soja. O impacto estimado sobre a inflação oficial, medida pelo IPCA, seria de cerca de 0,26 ponto percentual, devido aos reflexos sobre itens como óleo de soja, leite, ovos e carnes.

Entre as estratégias consideradas para reduzir perdas estão a biotecnologia, o melhoramento genético, os bioinsumos, os defensivos químicos e o manejo integrado, que combina duas ou mais dessas alternativas.

## Uso de agrotóxicos cresceu no país

Dados reunidos pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que o consumo de defensivos químicos no Brasil aumentou 4,4 vezes entre 2003 e 2023. O volume anual passou de 180 mil toneladas para 800 mil toneladas no período.

Soja, milho e cana-de-açúcar concentram 76% do uso de agrotóxicos no país, conforme o levantamento. O Brasil registrou consumo médio de 10,9 quilos por hectare plantado, acima dos índices dos Estados Unidos, de 2,85 kg por hectare, e da China, de 1,9 kg por hectare.

O uso desses produtos é alvo de questionamentos pelos possíveis riscos à saúde e ao meio ambiente. Substâncias químicas empregadas no manejo das lavouras podem contaminar o solo e recursos hídricos, além de afetar organismos como polinizadores e espécies aquáticas.

Os organismos geneticamente modificados podem reduzir a necessidade de defensivos em culturas resistentes a determinadas pragas e doenças. Porém, variedades tolerantes a herbicidas também podem incentivar o uso mais intenso desses produtos e favorecer o surgimento de plantas daninhas resistentes.

Entre 2005 e 2019, foram autorizados 3.151 novos agrotóxicos no Brasil. Desse total, apenas 20% foram classificados como de baixa toxicidade, segundo dados do Ipea.

Após a entrada em vigor da Lei nº 14.875/2023, conhecida como nova Lei dos Agrotóxicos, o número de registros aumentou. Em 2024, foram liberados 663 novos produtos, ante 555 em 2023.

Dados do Ministério da Saúde divulgados pela Repórter Brasil apontam 73.391 casos de intoxicação por agrotóxicos registrados no país entre 2015 e 2025. Desse total, 9.729 notificações ocorreram em 2025.

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