segunda-feira, junho 1, 2026
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Dia Mundial sem Tabaco alerta para tecnologias que disfarçam vapes

Disfarces tecnológicos e a popularização dos cigarros eletrônicos entre jovens aumentam o risco de crescimento de casos de câncer no Brasil, alerta a Fundação do Câncer. A instituição relaciona a preocupação ao tema da Organização Mundial da Saúde para o Dia Mundial sem Tabaco: “Desmascarando o apelo, combatendo a dependência de nicotina e tabaco”.

A comercialização de vapes é proibida no país pela Anvisa desde 2009, mas o produto tem circulação crescente. Vendas ocorrem com facilidade em redes sociais, sites e no comércio informal.

Dados da Receita Federal mostram apreensões significativas: entre janeiro e fevereiro de 2026 foram confiscadas 238.801 unidades, média superior a 4 mil dispositivos por dia.

Fabricantes e vendedores passaram a camuflar dispositivos, tornando-os menos óbvios. Há modelos sem odor, versões aromatizadas e aparelhos que geram apenas vapor, o que facilita o uso discreto. Alguns dispositivos foram incorporados a objetos do cotidiano, como moletons com vaporizadores embutidos cujo bocal fica na ponta do cordão do capuz, o que permite inalação praticamente imperceptível.

Essas características favorecem o consumo em locais como transporte público e escolas, segundo a Fundação do Câncer, e contribuem para o aumento do alcance entre adolescentes.

Para marcar o Dia Mundial sem Tabaco, a Fundação reforçou o Movimento Vape Off e lançou a campanha “Spoiler: ele não te ama”. A ação inclui um filme no formato de reportagem com depoimentos anônimos de jovens e busca alertar sobre a apresentação enganosa dos produtos e seus riscos. A campanha também incentiva que pessoas que nunca experimentaram não iniciem o uso e que quem já utiliza interrompa o consumo.

Os novos dispositivos incorporam recursos tecnológicos e interativos, como tela sensível ao toque, jogos, reprodução de música e sistemas de troca de mensagens. Alguns aparelhos têm mecanismos que reagem à interrupção do uso, emitindo sinais sonoros, o que pode intensificar a frequência de consumo.

Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024 registra crescimento na experimentação entre estudantes de 13 a 17 anos: a taxa passou de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024, indicando quase o dobro de jovens que já provaram ou usam cigarros eletrônicos.

A Fundação do Câncer também aponta riscos associados ao consumo nessa faixa etária. A exposição à nicotina na adolescência pode afetar o desenvolvimento cerebral, especialmente áreas ligadas à atenção, aprendizagem, humor e controle de impulsos, e aumentar a vulnerabilidade à dependência ao longo da vida. Além disso, os dispositivos podem expor usuários a substâncias tóxicas — como partículas ultrafinas, compostos orgânicos voláteis e metais pesados — e estão associados a efeitos respiratórios e cardiovasculares.

Em termos de política pública, a instituição recomenda atuação para coibir produção e circulação de vapes. Como exemplo de medida internacional, cita o Reino Unido, que proibiu a venda de produtos de tabaco para quem nasceu a partir de 1º de janeiro de 2009 e ampliou restrições sobre publicidade, promoção e apresentação dos dispositivos voltados a crianças e adolescentes. A Fundação defende que o Brasil avance em direções semelhantes.

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