A África do Sul estreia na Copa do Mundo nesta quinta-feira (11) contra o México, às 16h, na Cidade do México. O torneio é sediado por Canadá, Estados Unidos e México.
Assim como o Brasil, a seleção sul-africana entrará em campo com o uniforme em tons de verde e amarelo. Além da coincidência cromática, os dois países compartilham afinidades socioeconômicas e políticas e adotam posições convergentes em temas globais, como a busca por soluções pacíficas para conflitos.
O técnico Joel Santana comandou a seleção sul-africana entre 2008 e 2009.
Cooperação com o Brasil
Em março, o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, realizou visita oficial a Brasília, quando se encontrou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ampliar as relações bilaterais. No encontro, os líderes discutiram intensificação da cooperação econômica e parcerias em setores como agricultura, pecuária, energia, mineração e defesa.
O intercâmbio comercial entre os dois países está estagnado há quase 20 anos, em torno de US$ 2,3 bilhões por ano. As exportações brasileiras para a África do Sul são predominadas por carnes de aves, açúcar e veículos rodoviários; as importações incluem prata, platina e outros minerais.
Em março, Brasil e África do Sul firmaram acordo para reforçar a cooperação no turismo, com foco no aumento da conectividade aérea e na promoção de destinos. Também foram formalizadas parcerias técnicas na agropecuária voltadas ao enfrentamento da febre aftosa e ao aprimoramento da vigilância sanitária animal.
Direitos humanos e posições internacionais
Durante a visita de Estado, Ramaphosa endossou a posição brasileira em favor de soluções pacíficas para as guerras no Oriente Médio e criticou ações que violem a Carta das Nações Unidas e provoquem mortes e destruição.
A África do Sul teve papel ativo em iniciativas internacionais de direitos humanos, como a aprovação, em 2015, das Regras Nelson Mandela na Organização das Nações Unidas, conjunto de normas que proíbe a tortura e assegura julgamentos justos. Relatos da ONU apontam que tortura de palestinos tem ocorrido de forma sistemática, segundo investigações das Nações Unidas.
Histórico de relações
Nos anos 1970, durante o regime do apartheid, o Brasil chegou a congelar relações diplomáticas e comerciais com a África do Sul, pressionado por movimentos internos e por uma coalizão de países africanos. Naquele período, a África do Sul era o maior parceiro comercial brasileiro no continente.
Transição democrática promovida a partir dos anos 1990 trouxe avanços econômicos e sociais à África do Sul, com crescimento do PIB, queda da inflação e do desemprego, e melhorias em educação e saúde, ainda que profundas desigualdades persistam. A África do Sul é a principal economia do continente e retomou aproximação com o Brasil na década de 2000, buscando uma aliança de desenvolvimento no sul global.
O país também alcançou autonomia na área nuclear e é o único do continente africano a produzir energia nuclear em escala comercial.
Parcerias atuais
Hoje, Brasil e África do Sul mantêm cooperação em saúde, com atuação conjunta no combate ao HIV/Aids, em políticas de redução da pobreza, no enfrentamento ao racismo e em ações de desenvolvimento sustentável. Na Conferência das Partes (COP) prevista para novembro de 2025 no Brasil, a África do Sul apoiou a proposta brasileira de criação de um Fundo de Florestas Tropicais.
A aproximação entre os dois países visa consolidar democracias, promover crescimento econômico e ampliar influência no cenário internacional, em uma relação considerada estratégica por observadores.



