quarta-feira, junho 10, 2026
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Peru vota neste domingo para eleger o 9º presidente em uma década de crise política

Cerca de 27 milhões de eleitores do Peru vão às urnas neste domingo (7) para escolher o nono presidente em dez anos marcados por instabilidade política. Desde 2016, dois mandatários renunciaram e quatro foram destituídos pelo Parlamento, considerado o poder real no país.

O segundo turno opõe a candidata de direita Keiko Fujimori, que obteve 17,1% dos votos no primeiro dia de votação, e o candidato de esquerda Roberto Sánchez Palomino, que alcançou 12,0%.

Apesar da vantagem inicial de Keiko Fujimori, a disputa é tratada como incerta por analistas devido ao cenário de polarização e fragmentação eleitoral.

Keiko carrega a herança política do pai, o ex-presidente Alberto Fujimori (1990–2000), cuja gestão foi marcada por condenações por violações de direitos humanos, incluindo casos de esterilização forçada de mulheres indígenas. Essa ligação também traz um alto índice de rejeição eleitoral.

Roberto Sánchez, ex-ministro e aliado do ex-presidente Pedro Castillo, apresentou propostas de reforma constitucional destinada a substituir a atual Carta Magna associada ao período fujimorista, além de defender mudanças sociais voltadas à ampliação de direitos.

Pedro Castillo venceu as eleições de 2021 contra Keiko Fujimori, mas foi destituído, preso e condenado por tentativa de golpe de Estado após tentar dissolver o Congresso.

No plano geopolítico, a eleição peruana pode influenciar a correlação de forças na América Latina, em um contexto em que vários países da região apresentam maior aproximação com os Estados Unidos, como observado em casos recentes no Equador, Bolívia, Argentina e Chile.

Crise institucional e antecedentes

O último presidente a completar o mandato no Peru foi Ollanta Humala (2011–2016). Seu governo foi abalado pelo escândalo de corrupção envolvendo a empreiteira brasileira Odebrecht. Em 2025, Humala foi condenado a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro e atualmente está detido em Lima.

Pedro Castillo também foi condenado, recebendo mais de 11 anos de prisão por tentativa de golpe e rebelião.

Após a remoção de Castillo, a vice-presidente Dina Boluarte assumiu a Presidência. Durante manifestações contrárias à destituição, houve repressão que resultou em 49 mortes, segundo a Anistia Internacional. Boluarte teve baixa popularidade e foi destituída pelo Congresso em 10 de outubro de 2025.

O presidente do Parlamento, José Jerí, assumiu em seguida, mas sua gestão durou cerca de quatro meses. Em 17 de fevereiro do ano seguinte, o Congresso o destituiu, e José María Balcázar Zelada passou a exercer a Presidência interinamente após escolha indireta pelo Legislativo.

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