Em apuração apertada para a presidência do Peru, o esquerdista Roberto Sánchez Palomino aparece à frente da direitista Keiko Fujimori com 93,9% das urnas apuradas. O resultado parcial é de 50,008% para Sánchez e 49,992% para Fujimori.
Sánchez soma 8.790.560 votos, contra 8.787.618 de Keiko, diferença de 2.942 votos. O candidato chegou a aparecer atrás no início da contagem e foi reduzindo a vantagem até superar a adversária.
O desfecho permanece indefinido. Entre cerca de 92 mil urnas previstas, ainda faltam apurar aproximadamente 4,6 mil, segundo a Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE). O universo de eleitores aptos é de cerca de 27 milhões.
A disputa vale o mandato presidencial para o período 2026–2031. O vencedor será o nono presidente do Peru em dez anos de intensa instabilidade política: desde 2016, dois presidentes renunciaram e quatro foram destituídos pelo Congresso.
Keiko Fujimori é filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990–2000), condenado por violações de direitos humanos, entre elas esterilizações forçadas. Keiko perdeu o segundo turno nas eleições de 2011, 2016 e 2021.
Roberto Sánchez, psicólogo de formação, é deputado pelo partido Todos pelo Peru e foi ministro no governo de Pedro Castillo. Castillo foi destituído, preso e condenado por tentativa de golpe de Estado após tentar dissolver o Parlamento. Após votar em Lima, Sánchez visitou o presídio onde Castillo está detido.
No primeiro turno, Sánchez obteve cerca de 12% dos votos, contra 17% de Keiko. Entre o primeiro e o segundo turno, ele moderou seu discurso e ajustou sua plataforma: abandonou a proposta de nacionalizar empresas de setores estratégicos, manteve a promessa de convocar uma Assembleia Constituinte e preservou propostas de reforma trabalhista voltadas à ampliação de direitos e formalização de trabalhadores informais.
A apuração segue em curso e o resultado final dependerá das atas que ainda não foram computadas.



