O Corredor Bioceânico foi tema do Fórum Internacional da Agropecuária (FIAP) nesta quinta-feira (18). Em painel dedicado à Rota Bioceânica, o secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Artur Falcette, apresentou os avanços do projeto, as oportunidades para o agronegócio sul-mato-grossense e os principais desafios para sua implementação completa.
O projeto pretende conectar Mato Grosso do Sul aos mercados da Ásia e do Pacífico por meio de uma logística mais eficiente e competitiva. Entre os marcos apontados para a viabilização da rota está a conclusão da Ponte Binacional entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta (Paraguai), considerada fundamental para assegurar a ligação terrestre até os portos do Oceano Pacífico e reforçar a integração regional entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.
O avanço da rota deve impactar diretamente a competitividade dos produtos do estado, com ganhos esperados no escoamento de commodities agrícolas, carnes e bens industrializados. Também foram destacadas oportunidades relacionadas à valorização imobiliária, expansão da infraestrutura logística, geração de empregos e desenvolvimento econômico em cidades estratégicas como Porto Murtinho, Dourados e Campo Grande.
O projeto ainda abre perspectivas para o crescimento do turismo regional, especialmente nas áreas do Pantanal e do Cerrado. No cenário internacional, o Corredor Bioceânico ganha importância diante da expansão das relações comerciais com países asiáticos: a China permanece como o principal destino das exportações sul-mato-grossenses, com destaque para celulose e carne bovina, enquanto o bloco da ASEAN aparece como mercado em expansão.
O relatório apresentado no painel também apontou indicadores e compromissos ambientais e econômicos do estado, como a conversão de mais de cinco milhões de hectares de pastagens degradadas para atividades produtivas e a meta de neutralidade de carbono até 2030. Esses fatores reforçam a posição de Mato Grosso do Sul como potencial hub logístico para exportação e importação, especialmente no setor do agronegócio.
Entre os obstáculos para a consolidação do corredor estão a necessidade de harmonização da legislação aduaneira, acordos fitossanitários, integração dos sistemas de transporte internacional e qualificação profissional para atender às novas demandas logísticas.
O painel fez parte da programação do FIAP, evento que reúne representantes do setor produtivo, especialistas e gestores públicos para debater desafios e oportunidades da agropecuária brasileira diante do aumento da demanda global por alimentos e energia.



