sexta-feira, junho 12, 2026
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G7: Lula cobrará apoio ao desenvolvimento e defenderá nova governança global

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca nos próximos dias para Évian-les-Bains, na França, onde participará como convidado da Cúpula do G7 pela décima vez. O encontro ocorre entre 15 e 17 de junho.

O G7 reúne Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão, com a União Europeia atuando como membro institucional. Além do Brasil, foram convidados líderes de Índia, Quênia, Coreia do Sul e Egito.

O Itamaraty confirmou que a comitiva brasileira participará de três eventos. No dia 16 haverá uma sessão de líderes dedicada a parcerias internacionais para o desenvolvimento, na qual se espera que o Brasil pressione pela ampliação da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD). AOD, conhecida no inglês como Official Development Assistance (ODA), refere-se a transferências financeiras de países mais industrializados destinadas a promover bem-estar e desenvolvimento econômico em nações mais vulneráveis.

Com a presidência francesa do G7, a expectativa é que os membros aprovem uma declaração conjunta propondo caminhos para fortalecer essa ajuda internacional, incluindo possíveis parcerias com o setor privado.

Em 17 de junho, outra sessão de líderes tratará do crescimento econômico equilibrado e da reforma da governança global, com foco em instituições multilaterais como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Organização das Nações Unidas (ONU). Lula já havia antecipado em reunião ministerial a intenção de levar esse tema ao G7, defendendo iniciativas para reforçar o multilateralismo e reformar estruturas como o Conselho de Segurança da ONU.

A ida de Lula ao G7 ocorre em meio a tensões comerciais com os Estados Unidos. O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) elaborou relatório que sugere a aplicação de uma tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras para o país. O documento é resultado de uma investigação iniciada há cerca de um ano pelo governo norte-americano, que aponta supostas práticas desleais no comércio bilateral. Entre as alegações do USTR está a de que o sistema de pagamentos Pix teria prejudicado empresas estadunidenses de serviços de pagamento eletrônico.

Ainda no dia 17, a delegação brasileira participará de um almoço focalizado em Inteligência Artificial (IA). No Brasil, a regulação da IA é tema no Congresso Nacional. A Câmara dos Deputados deve votar este ano um projeto originado no Senado que estabelece princípios para o desenvolvimento e uso da tecnologia, incluindo requisitos de transparência, segurança, confiabilidade e respeito a direitos humanos e valores democráticos. O texto também prevê estímulo à inovação e à livre iniciativa, lista sistemas de IA considerados de alto risco e proíbe tipos de tecnologias que possam causar danos à saúde, à segurança ou a outros direitos fundamentais.

Embora o Brasil não faça parte das negociações formais do G7, por não ser membro pleno, o país poderá emitir contribuições em diferentes frentes. A presidência francesa busca consenso em sete documentos, com destaque para o texto sobre parcerias internacionais para o desenvolvimento e outro sobre crescimento econômico equilibrado.

A proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital integra a pauta, tema em que o Brasil poderá mencionar sua legislação voltada ao assunto, o chamado ECA Digital. Diplomatas também trabalham em textos sobre combate ao narcotráfico, luta contra o câncer, enfrentamento ao contrabando de migrantes e a governança de minerais críticos.

O Brasil tem interesse estratégico nos debates sobre minerais críticos por deter uma das maiores reservas mundiais de terras raras e outros minerais essenciais. Entre as prioridades brasileiras está a promoção de agregação de valor nas regiões de extração, buscando desenvolvimento local a partir da exploração desses recursos.

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