O líder supremo do Irã, Sayyid Mojtaba Khamenei, convocou nesta terça-feira (26) países e governos islâmicos a se alinharem com Teerã na construção de uma nova ordem regional sem a presença militar dos Estados Unidos e sem Israel.
A convocação foi divulgada em carta dirigida aos milhões de muçulmanos presentes durante o Hajj em Meca, na Arábia Saudita, evento anual que costuma reunir mais de 1,5 milhão de fiéis. A mensagem foi tornada pública no segundo dia da peregrinação.
Na correspondência, Khamenei pediu que peregrinos iranianos transmitissem a outros muçulmanos a narrativa de “vitória” do Irã na guerra que o país descreve como uma agressão de EUA e Israel. A carta também defendeu o fim de bases militares estadunidenses na região.
O líder supremo afirmou que o regime israelense se aproxima de um fim e remeteu a uma profecia atribuída ao seu pai, feita há dez anos, segundo a qual Israel não sobreviveria a um período de 25 anos. No posicionamento oficial do Irã, o país defende a criação de um único Estado que inclua o retorno da diáspora palestina, enquanto Israel rejeita qualquer proposta de Estado palestino independente.
Khamenei também exaltou a Revolução Islâmica de 1979 e elogiou a resistência iraniana frente ao que classificou como quase cinco décadas de cerco econômico e repetidos ataques políticos e propagandísticos. O embargo internacional tem, segundo o texto, efeitos sociais e econômicos que limitam o desenvolvimento do país.
O documento citou ainda o chamado Eixo da Resistência — agrupamento de forças opositoras à hegemonia de Israel e dos EUA no Oriente Médio, com presença no Líbano, Palestina, Iraque, Síria, Iêmen, além de ações em partes da África, Afeganistão e Paquistão — como elemento central para a defesa da comunidade islâmica e para confrontar grupos extremistas.
No Irã, o cargo de líder supremo é ocupado por indicação da Assembleia dos Especialistas, composta por 88 clérigos eleitos pelo voto popular. Embora o mandato seja vitalício, a Assembleia detém poderes para destituir o titular. As Forças Armadas respondem diretamente ao líder supremo e não ao Poder Executivo.
Mojtaba Khamenei assumiu o posto após o assassinato do pai, Ali Khamenei, ocorrido no início da guerra contra Israel e os Estados Unidos. O líder supremo figura no topo da estrutura de poder da República Islâmica, que inclui Executivo, Parlamento e Judiciário, além do Conselho dos Guardiões — órgão de 12 membros responsável por fiscalizar a conformidade das leis com parâmetros religiosos e morais.



