Os Estados Unidos realizaram, na madrugada desta quinta-feira (28), o segundo ataque contra o Irã em três dias. Em resposta, o Irã disparou mísseis contra uma base militar americana na região, sem identificar o local exato. O Kuwait informou ter interceptado projéteis em seu espaço aéreo.
A nova troca de ataques ameaça o frágil cessar-fogo entre Irã e EUA, enquanto Israel mantém bombardeios no Líbano, inclusive em Beirute. Teerã tem exigido o fim das operações também no território libanês. As negociações entre as partes seguem sem avanços.
Segundo os militares norte-americanos, o ataque iraniano em direção ao Kuwait ocorreu após as Forças dos EUA terem abatido cinco drones iranianos e impedido o lançamento de um sexto, originado na cidade de Bandar Abbas. O Comando Central dos EUA declarou que os veículos aéreos representavam uma ameaça nas proximidades do Estreito de Ormuz.
O Corpo da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) informou ter atingido uma base americana às 4h50 (horário local), apontando aquela instalação como origem do ataque dos EUA nos arredores do aeroporto de Bandar Abbas.
Embora o Irã não tenha especificado em que país estaria a base atacada, tanto o Kuwait quanto os Estados Unidos afirmaram que os mísseis iranianos foram direcionados ao território kuwaitiano e que foram interceptados pelas defesas locais. O Estado‑Maior do Exército do Kuwait relatou que suas defesas aéreas derrubaram drones e mísseis e que as explosões ouvidas em algumas áreas se deveram a essas interceptações.
Os governos da Arábia Saudita, do Catar e dos Emirados Árabes Unidos criticaram a retaliação iraniana que atingiu a região do Kuwait.
No Líbano, apesar de declarações sobre um cessar-fogo, Israel continua a campanha de bombardeios, com ataques registrados em Beirute. O grupo Hezbollah mantém operações contra forças israelenses na fronteira. Desde 2 de março, o Ministério da Saúde do Líbano contabiliza mais de 3,2 mil mortes e mais de 9,7 mil feridos decorrentes da atual fase do conflito.
Nas negociações em curso, o Irã tem reiterado demandas que incluem a retirada de bases militares americanas do Oriente Médio, o desbloqueio de recursos iranianos congelados no exterior e o fim de sanções econômicas. Os Estados Unidos, por sua vez, exigem a entrega de material nuclear iraniano e a reabertura total do Estreito de Ormuz, primeira vez por onde transitava cerca de 20% do petróleo mundial. O governo iraniano afirma não ceder, por ora, na discussão sobre seu programa nuclear e reivindica mudanças na gestão do Estreito de Ormuz.
As conversações permanecem sem resolução e o risco de escalada na região continua elevado.



