quinta-feira, junho 18, 2026
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120 mil mortes no Brasil associadas a ondas de calor em 20 anos

Um estudo publicado nesta quarta-feira (17) estima que cerca de 120 mil mortes no Brasil, entre 2000 e 2019, estiveram associadas a ondas de calor. Esse total corresponde a aproximadamente 0,6% da mortalidade registrada no período, excluindo óbitos por causas externas (acidentes e violências).

A pesquisa, intitulada “Saúde e ondas de calor no Brasil: evidências sobre mortalidade, morbidade hospitalar e implicações para o SUS”, foi elaborada por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA). A coordenação técnica envolveu os projetos Ciência&Clima (cooperação entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e o PNUD) e ProAdapta (parceria entre o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério Federal do Meio Ambiente da Alemanha).

Os dados cobriram 5.566 municípios do país; quatro localidades foram excluídas por incompatibilidades técnicas e administrativas: Itaparica (BA), Madre de Deus (BA), Fernando de Noronha (PE) e Bombinhas (SC).

As análises apontam associação consistente entre calor extremo e aumento da mortalidade, com maior impacto entre idosos, pessoas com doenças respiratórias, mulheres e indivíduos com menor nível de escolaridade. O estudo também identifica um aumento do risco de internações por doenças respiratórias (em especial pneumonia), enfermidades geniturinárias como insuficiência renal, e por gastroenterites em crianças menores de 10 anos.

Na população com 60 anos ou mais, os pesquisadores registraram maior sensibilidade a doenças respiratórias, renais e metabólicas, incluindo diabetes. O levantamento ainda sugere que eventos cardiovasculares desencadeados por ondas de calor podem progredir rapidamente para quadros graves, com possibilidade de óbito antes da hospitalização.

Os resultados mostram ainda desigualdades sociais nos efeitos do calor extremo, com incremento percentual maior no risco de morte entre pessoas com menor escolaridade.

Em termos espaciais, a maioria dos municípios registrou aumento na frequência e na intensidade das ondas de calor entre 2000 e 2019. Os episódios mais frequentes e de maior duração concentraram-se nas regiões Norte e Centro-Oeste. Já os eventos com maior intensidade em relação às médias históricas foram observados principalmente no Sul e no Sudeste.

Como implicações práticas, os autores recomendam o fortalecimento de sistemas de monitoramento e de alerta antecipado para ondas de calor e a incorporação de informações climáticas às ações de vigilância epidemiológica e ambiental do Sistema Único de Saúde (SUS), além de medidas de adaptação direcionadas aos grupos mais vulneráveis.

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