terça-feira, novembro 3, 2026

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Vorcaro nega irregularidades e pede voto de confiança

# Vorcaro negou fraudes em depoimento à PF antes de indiciamento

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro negou à Polícia Federal ter cometido irregularidades em operações relacionadas à tentativa de compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB). O depoimento foi prestado em 15 de outubro, antes da conclusão dos indiciamentos na primeira fase da Operação Compliance Zero.

Nesta quarta-feira (28), a PF indiciou Vorcaro e outros 14 investigados. A apuração trata de supostas fraudes envolvendo operações do Banco Master e a venda de carteiras de crédito ao BRB.

Durante a oitiva, conduzida pela delegada Janaína Palazzo, Vorcaro pediu o encerramento da investigação e defendeu a realização de uma perícia independente sobre os ativos negociados. Ele sustentou que as transações não causaram perdas à instituição pública.

Segundo a investigação, a empresa Tirreno teria sido utilizada como estrutura de fachada para transferir ao BRB créditos inexistentes. Vorcaro afirmou que sua participação se limitou a resolver questões ligadas à substituição desses ativos.

Preso desde março, o ex-banqueiro está custodiado na Papudinha, no Distrito Federal. No depoimento, que durou aproximadamente duas horas, ele também solicitou a revogação de sua prisão.

Após o indiciamento, a defesa de Vorcaro informou que as operações entre BRB e Tirreno não foram concluídas nos termos inicialmente previstos. Os advogados alegaram que as carteiras foram substituídas por outros ativos e que os negócios teriam produzido resultado positivo para o Banco de Brasília. A defesa também afirmou não haver perícia oficial que tenha apontado prejuízo.

A Polícia Federal, no entanto, concluiu que Vorcaro teve atuação direta e recorrente nas operações com carteiras de crédito consideradas irregulares. Para os investigadores, ele ocupava posição central nas decisões do Banco Master e seria o principal beneficiário econômico das operações destinadas a gerar liquidez para a instituição.

Os 15 indiciados respondem, em tese, por gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

De acordo com a PF, as perdas já identificadas alcançam cerca de R$ 2,7 bilhões. Parte desse valor estaria ligada a créditos inexistentes registrados em nome da Tirreno.

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