terça-feira, novembro 3, 2026

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Eleitores americanos se mostram pessimistas sobre a economia

**Economia domina debate eleitoral nos EUA às vésperas da votação de 3 de novembro**

A economia é a principal preocupação dos eleitores norte-americanos na véspera das eleições de 3 de novembro, que definirão se o Partido Republicano, do presidente Donald Trump, continuará no controle do Congresso. A alta do custo de vida, especialmente dos preços de combustíveis, serviços e alimentação, tem alimentado a insatisfação do eleitorado.

Embora Trump não esteja na cédula, sua gestão econômica deve pesar no voto. Parte dos eleitores associa a inflação persistente às tarifas adotadas pelo governo e à guerra de oito meses envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, conflito que pressionou os preços globais dos combustíveis.

Os indicadores econômicos, porém, mostram um cenário misto. O mercado de trabalho permanece aquecido, com taxa de desemprego de 4,2% em setembro. O índice não supera 4,5% há cinco anos, o período mais longo já registrado. Os pedidos semanais de seguro-desemprego também estão próximos do menor nível em 57 anos.

Ainda assim, a contratação perdeu ritmo, e recém-formados relatam mais dificuldade para conseguir emprego. Ao mesmo tempo, não houve onda de demissões em massa. Dados do Conference Board apontaram melhora nas perspectivas de emprego em outubro, com aumento da diferença entre consumidores que veem vagas disponíveis e os que consideram difícil encontrar trabalho.

A confiança dos consumidores, entretanto, segue fragilizada. Enquanto o indicador do Conference Board avançou em outubro, a pesquisa da Universidade de Michigan mostrou que o sentimento do consumidor ficou próximo de mínimas históricas desde o início do segundo mandato de Trump, em janeiro de 2025.

O mercado acionário também ajudou a sustentar a atividade econômica ao longo do ano. Os principais índices de Wall Street registraram dezenas de recordes, impulsionados principalmente por investimentos ligados à inteligência artificial. A valorização das ações beneficiou famílias com aplicações financeiras, sobretudo as de maior renda, e contribuiu para manter o consumo em alta.

A economia dos Estados Unidos cresceu a uma taxa anualizada de 3,4% no último trimestre, o melhor resultado do ano. Os investimentos empresariais avançaram 12,7% no mesmo período, com a inteligência artificial entre os principais vetores desse movimento.

Apesar disso, resultados financeiros de grandes empresas, como Amazon e Intel, ampliaram as dúvidas sobre a continuidade do ciclo de investimentos em IA. O cenário provocou quedas acentuadas em índices como o Nasdaq Composite.

A inflação permanece acima da meta de 2% adotada pelo Federal Reserve, mesmo abaixo dos níveis observados em 2022. Desde janeiro de 2025, os preços ao consumidor e a remuneração média por hora aumentaram cerca de 5,5%, segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA.

Com isso, o poder de compra dos trabalhadores se manteve praticamente estável desde o início do atual mandato presidencial. A desaceleração dos ganhos salariais e a pressão sobre os preços limitam a percepção de melhora econômica entre as famílias.

O Federal Reserve elevou a taxa básica de juros em setembro e pode promover novo aumento em dezembro, em uma tentativa de conter a inflação. A alta dos juros de longo prazo também encareceu o crédito para consumidores.

No mercado imobiliário, hipotecas de 30 anos acima de 7% e a baixa oferta de imóveis elevaram os preços das casas, tornando a compra de moradia cada vez mais distante para parte da população.

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