O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (16) um acordo de cessar-fogo entre Líbano e Israel por 10 dias, com início previsto para a noite do mesmo dia. Segundo a Casa Branca, a trégua começaria às 17h (horário de Brasília).
A suspensão das hostilidades estava entre as exigências do Irã para a continuidade das negociações com os EUA. O governo de Israel não se pronunciou oficialmente sobre o anúncio.
O acordo foi apresentado após conversas entre Trump, o presidente do Líbano, Joseph Aoun, e o primeiro‑ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Representantes de Tel Aviv e do Líbano se encontraram em Washington nesta semana — o primeiro encontro bilateral desde 1983.
O governo libanês não exerce controle total sobre o Hezbollah, organização que combina atuação política e militar no país. Não há confirmação ampla sobre a adesão de grupos armados à trégua.
Mídia israelense informou que ministros do gabinete receberam a notícia com surpresa e que Netanyahu teria aceitado o cessar‑fogo a pedido dos EUA. A oposição israelense criticou a decisão, enquanto relatos apontaram que forças militares do país poderiam permanecer em território libanês mesmo durante a trégua.
Contexto
O confronto entre Israel e o Hezbollah remonta aos anos 1980, quando a milícia xiita surgiu em reação à intervenção israelense no Líbano. Em 2000 o grupo contribuiu para a retirada das tropas israelenses do país e, ao longo dos anos, consolidou presença política com assentos no Parlamento.
A atual fase de confrontos teve início em outubro de 2023, com ataques do Hezbollah no norte de Israel em solidariedade aos palestinos diante dos ataques na Faixa de Gaza. Em novembro de 2024 houve um acordo de cessar‑fogo entre o grupo e Tel Aviv, mas episódios de ataques continuaram a ser registrados.
Em fevereiro, com nova escalada envolvendo o Irã, o Hezbollah retomou operações contra Israel, citando violações recentes do cessar‑fogo. Em 8 de abril foi anunciado um cessar‑fogo relacionado à guerra que envolveu o Irã, mas ataques em território libanês continuaram, segundo relatos, em desconformidade com o acordo mediado pelo Paquistão.
O anúncio desta quinta-feira acontece em um cenário regional tenso, com negociações diplomáticas em curso para tentar estabilizar a fronteira entre Líbano e Israel.



