A legislação dos Estados Unidos fixa em 60 dias o limite para o uso de forças militares sem autorização formal do Congresso, prazo que pode ser estendido por até mais 30 dias mediante certificação presidencial por escrito sobre necessidade militar durante a retirada. O prazo relativo às operações iniciadas pelo governo de Donald Trump contra o Irã venceria em 1º de maio.
No Congresso, democratas apresentaram quatro resoluções tentando impor limites às ações militares do Executivo, mas sem sucesso. Nesta quarta-feira (15), após duas semanas de recesso, uma nova proposta para encerrar a escalada foi derrotada no Senado por 52 votos a 47. No resultado, houve um voto de um democrata favorável às operações e um voto de um republicano contrário à posição do presidente.
No âmbito do governo, o chefe antiterrorismo da administração Trump, Joe Kent, renunciou ao cargo por discordâncias em relação à justificativa de ameaça iminente atribuída ao Irã.
Alguns senadores republicanos manifestaram preocupação com a continuidade do conflito, citando impactos econômicos como a alta nos preços dos combustíveis e o desaprovo majoritário da população — pesquisas indicam rejeição de cerca de 60% dos norte-americanos às hostilidades. Parlamentares cobraram do Executivo justificativas detalhadas e um plano de ação caso seja solicitada a prorrogação do prazo de 30 dias.
A oposição também buscou alternativas para afastar o presidente do cargo por meio da 25ª Emenda da Constituição, mecanismo que exige o apoio do vice-presidente, J.D. Vance. A iniciativa ganhou força após declarações do presidente consideradas ameaçadoras ao povo iraniano.
Enquanto isso, manifestações contrárias à condução da política externa e migratória do governo continuaram a se multiplicar. Organizações promotoras estimaram que milhões de pessoas foram às ruas no fim do mês passado em protestos classificados como os maiores da história dos EUA.
Negociações e cessar-fogo
O Paquistão assumiu a mediação das conversações para encerrar o conflito, em meio a um cessar-fogo temporário de duas semanas previsto para terminar na noite de terça-feira (21). As negociações permanecem frágeis.
O Irã legitimou a exigência de que o cessar-fogo inclua também o Líbano, onde Israel mantém ataques intensos no Sul e em Beirute, com o objetivo declarado de controlar parte do território vizinho. Em paralelo, os Estados Unidos vêm ameaçando embarcações que rumam a portos iranianos na tentativa de pressionar Teerã durante as negociações.
O Conselho de Segurança da Federação Russa divulgou comunicado alertando que as conversas de paz podem ser usadas pelos Estados Unidos e por Israel para preparar uma operação terrestre contra o Irã, enquanto, segundo a comunicação russa, o Pentágono aumenta o contingente de forças na região.
A agência iraniana Tasnim informou que negociadores de Teerã consideram improvável um acordo na próxima rodada articulada pelo mediador paquistanês, argumentando que a ausência de preliminares e de um quadro negociador adequado tornaria as sessões improdutivas.



