A área de defesa foi apontada como uma das principais prioridades da política externa brasileira para os próximos anos durante a 2ª Conferência Nacional de Política Externa e Inserção Internacional do Brasil, realizada nesta semana na Universidade Federal do ABC, em São Bernardo do Campo (SP). O encontro teve participação de Audo Faleiro, assessor‑chefe adjunto da Assessoria Especial do Presidente da República.
No evento, foram elencados seis temas que demandarão atenção estratégica até, ao menos, 2030: defesa, minerais críticos e terras raras, soberania digital, crime organizado transnacional, integração regional na América Latina e Caribe, e fortalecimento das relações com países africanos.
Defesa
A agenda de defesa foi colocada em destaque diante do contexto internacional marcado por ações militares na região e pela ampliação de conflitos globais. Foi sublinhada a necessidade de discussão sobre o nível de investimento em capacidades militares e de dissuasão, bem como a avaliação dos riscos estratégicos para ativos nacionais.
Minerais críticos e terras raras
O setor de minerais críticos e terras raras foi descrito como carente de atualização regulatória. A atual gestão federal tem articulado a criação de um Conselho Nacional de Minerais Críticos vinculado à Presidência da República. O Brasil figura entre os maiores detentores desses recursos, o que exige desenvolvimento de estratégias e investimentos para aproveitamento da condição geológica favorável.
Crime organizado transnacional
O tema do crime organizado transnacional ganhou lugar na agenda de política externa, com ênfase na necessidade de uma atuação regional coordenada. O Brasil disputou e conquistou a direção‑geral da Interpol, e atualmente a organização é chefiada por um delegado da Polícia Federal brasileira. No debate, apontou‑se a importância de evitar a instrumentalização política do tema e de propor pautas comuns de combate ao crime na América Latina.
Soberania digital
A soberania digital foi identificada como área em que o país precisa acelerar iniciativas e investimentos, em razão de defasagem percebida em relação à evolução global da pauta.
Integração regional
A integração com países da América Latina e Caribe enfrenta obstáculos decorrentes de recentes cenários políticos na região, como a eleição de líderes com agendas distintas e resultados eleitorais que produziram vetos cruzados. Esses fatores têm dificultado esforços para reativar mecanismos de cooperação regional, como a Unasul e a Celac.
Relações com a África
A reaproximação com países africanos foi destacada como prioritária, diante da presença crescente de outros atores no continente após um período de menor protagonismo brasileiro. Foi apontada a necessidade de revisar instrumentos de cooperação e reavaliar iniciativas abandonadas ao longo da última década.
Brics
No debate sobre os Brics, mencionou‑se a ampliação do grupo em 2023 e a atual dificuldade de o bloco produzir consensos sobre crises internacionais. Conflitos entre membros têm contribuído para a paralisia do grupo em temas sensíveis, o que tem limitado a emissão de declarações conjuntas sobre conflitos como o do Oriente Médio.
O conjunto de temas definidos na conferência deverá orientar formulações futuras da política externa brasileira, segundo agenda apresentada pelos organizadores.



