## Tatu-bola segue ameaçado mesmo após virar símbolo da Copa de 2014
O tatu-bola, espécie que ganhou projeção nacional ao inspirar o mascote Fuleco na Copa do Mundo de 2014, continua ameaçado de extinção. O animal é conhecido pela capacidade de se fechar completamente em formato de bola quando se sente ameaçado, mecanismo que dificulta o ataque de predadores naturais.
A espécie, de nome científico *Tolypeutes tricinctus*, ocorre em áreas da Caatinga, especialmente em estados como Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Piauí. De hábitos noturnos, vive em regiões de vegetação seca e sai principalmente para se alimentar.
Na natureza, o tatu-bola desempenha funções importantes para o equilíbrio ambiental. Sua dieta inclui formigas, cupins, larvas e pequenos insetos, o que contribui para o controle de pragas. Além disso, assim como outros tatus, ajuda a revolver o solo ao cavar, favorecendo a circulação de nutrientes e a regeneração de áreas degradadas.
Apesar da proteção natural contra predadores, o animal é vulnerável à ação humana. Por se enrolar e permanecer imóvel, pode ser capturado com facilidade. A caça, a perda de habitat e a expansão de atividades econômicas em áreas de ocorrência da espécie estão entre as principais ameaças.
Empreendimentos de energia, como parques solares e eólicos, além da abertura de estradas, têm ampliado a pressão sobre o habitat do tatu-bola na Caatinga. Grandes áreas destinadas à geração de energia costumam ocupar regiões baixas próximas a serras, ambientes também utilizados pela espécie.
A visibilidade obtida com o mascote da Copa ajudou a ampliar a discussão sobre a caça predatória, esportiva e de subsistência. Na Chapada Diamantina, na Bahia, moradores que antes caçavam o animal passaram a atuar em iniciativas de conservação, como o Projeto Ecologia e Conservação Participativa do Tatu-Bola.
De acordo com o ICMBio, órgão federal responsável pela conservação da biodiversidade, o tatu-bola permanece classificado como espécie “em perigo” na lista nacional da fauna ameaçada.
Em 2026, medidas voltadas à proteção da Caatinga e de espécies ameaçadas foram anunciadas, incluindo a ampliação de parques nacionais e a criação da Política Nacional para Recuperação da Caatinga. Áreas como a região da Serra das Confusões, no Piauí, são consideradas estratégicas por reunirem ambientes de transição entre Caatinga, Cerrado e formações florestais.
Ainda neste ano, está previsto o lançamento do Plano de Ação Nacional para Conservação do Tamanduá-bandeira, Tatu-canastra e Tatu-bola, conhecido como PAN Tatá. Coordenado pelo ICMBio, o plano reúne órgãos ambientais, pesquisadores e organizações da sociedade civil.
A proposta é reduzir, nos próximos cinco anos, os principais riscos enfrentados por essas espécies. Entre as ações previstas estão o combate à caça, a redução de atropelamentos e o mapeamento genético das populações.



