sexta-feira, setembro 25, 2026

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Rara planta carnívora é descoberta em área do Piauí

Pela primeira vez registrada no Nordeste do Brasil, a planta carnívora aquática Utricularia warmingii foi encontrada na Lagoa do Bode, em Campo Maior (PI). A espécie é rara e considerada em risco de extinção.

Antes, U. warmingii era conhecida por pequenas populações em áreas do Pantanal, em estados do Sudeste e em outros países da América do Sul. A nova ocorrência foi divulgada em artigo publicado em periódico ligado à revista Nature.

O registro resultou de uma parceria entre pesquisadores das universidades federais do Piauí e do Mato Grosso do Sul e do Instituto Nacional da Mata Atlântica.

A planta apresenta utrículos — armadilhas microscópicas que sugam pequenos crustáceos e larvas de protozoários — e está ligada a água doce em lagoas de temperatura relativamente aquecida. As flores são claras, com tons de amarelo e vermelho, e recebem ação de polinizadores.

As poucas coletas históricas dificultam estudos completos sobre a espécie. Em geral, U. warmingii atinge até 6 cm de altura. Seu principal diferencial é o pedúnculo inflável, que funciona como um balão para auxiliar a flutuação. A planta tem vida livre na coluna d’água, não se fixa ao substrato e pode submergir, comportamento distinto de outras espécies semelhantes.

A sobrevivência da espécie depende de áreas alagadas, mesmo que temporárias, habitats que vêm sendo degradados. Entre os fatores de risco apontados pelos pesquisadores estão a seca, a expansão agropecuária, o uso de fertilizantes, a introdução de espécies invasoras e outras modificações da paisagem que comprometem a qualidade da água.

Os cientistas destacam a necessidade de ações para conservar a planta: ampliar a população local, aprofundar estudos sobre plantas aquáticas no Piauí e articular com órgãos competentes a criação de área de proteção permanente.

Segundo os pesquisadores, a fauna e a flora de muitas regiões brasileiras ainda são pouco conhecidas, e pesquisas como esta são fundamentais para orientar medidas de preservação adequadas a cada região.

Sob supervisão de Vitória Elizabeth.

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