**Protestos por moradia entram no terceiro dia em Madri após despejo de idosa**
Manifestantes mantiveram nesta segunda-feira (28) um acampamento em frente à sede do governo regional de Madri. O ato, que chegou ao terceiro dia, cobra medidas de proteção aos inquilinos diante da alta dos aluguéis e da falta de imóveis disponíveis.
A mobilização ganhou força após o despejo de Maricarmen Abascal, de 87 anos. A idosa foi retirada de maca do apartamento onde viveu por mais de 70 anos, em cumprimento a uma ordem obtida por um fundo de investimento que adquiriu o imóvel.
Durante a operação, centenas de pessoas se concentraram nas proximidades do prédio e houve confronto com a polícia. O episódio também provocou críticas do governo central espanhol, de esquerda, à administração regional de Madri, liderada pela centro-direita.
A praça Puerta del Sol, no centro da capital, foi ocupada por centenas de barracas. A cena remete aos protestos de 2011, quando ativistas permaneceram por cerca de um mês no local contra medidas de austeridade adotadas durante a crise financeira global.
No sábado (26), aproximadamente 30 mil pessoas participaram de uma marcha pelas ruas de Madri. O protesto reuniu grupos contrários aos despejos e à atuação de fundos de investimento no mercado imobiliário.
A Puerta del Sol abriga o escritório de Isabel Díaz Ayuso, presidente da Comunidade de Madri. Desde o fim de semana, o número de participantes no acampamento tem aumentado.
Outras manifestações estavam previstas para esta segunda-feira em diferentes regiões da Espanha, segundo o Sindicato dos Inquilinos, entidade que coordena parte dos atos.
O primeiro-ministro Pedro Sánchez informou no domingo (27) que o governo pretende aprovar até terça-feira (29) um decreto voltado à habitação, com medidas de alívio imediato para inquilinos.
Na última década, o valor médio dos aluguéis na Espanha dobrou, em ritmo muito superior ao crescimento dos salários.



