sexta-feira, outubro 30, 2026

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Professores adotam inteligência artificial para tornar as aulas mais inovadoras e envolventes

# Inteligência artificial ganha espaço em atividades escolares e formação docente

Uma atividade realizada em uma escola estadual de Campinas, no interior de São Paulo, usou inteligência artificial para projetar os alunos em profissões que desejam exercer no futuro. A iniciativa partiu da professora Giovanna Macedo, que leciona para uma turma de 31 estudantes do 4º ano do ensino fundamental, com idades entre 9 e 10 anos.

A partir de fotografias feitas em 2025, a docente utilizou o ChatGPT para criar imagens das crianças já adultas, exercendo as carreiras escolhidas por elas. Entre os sonhos apresentados pela turma estavam profissões como jogador de futebol, astronauta, veterinária, bailarina, cantor e artista.

O material, produzido na Escola Estadual Professor Carlos Cristovam Zink, situada em um bairro periférico de Campinas, foi transformado em vídeo com as reações dos alunos e teve ampla circulação nas redes sociais.

Giovanna Macedo atua no magistério desde 2018 e utiliza recursos digitais para desenvolver materiais visuais e atividades em sala de aula. Após a repercussão do projeto, ela passou a planejar uma especialização voltada a metodologias de ensino e didática relacionadas ao uso de novas tecnologias.

## Capacitação e uso pedagógico

A expansão de ferramentas digitais nas escolas tem ampliado a discussão sobre a formação de professores e o uso responsável da inteligência artificial no ensino. Educadores que trabalham com capacitação docente apontam a necessidade de atualizar práticas pedagógicas diante da rápida evolução tecnológica.

No Distrito Federal, o professor Marcio Luiz Dias atua há 13 anos na formação continuada de profissionais da rede pública, com foco em tecnologias educacionais e inteligência artificial. As capacitações oferecidas pela Secretaria de Educação orientam os docentes a utilizar ferramentas digitais de forma crítica, colaborativa e vinculada aos objetivos pedagógicos.

A inteligência artificial pode ser empregada em tarefas como organização de rotinas administrativas, planejamento de aulas, criação de exercícios com diferentes níveis de dificuldade e elaboração de avaliações. O uso desses recursos também pode contribuir para liberar tempo dos professores para acompanhamento dos estudantes e preparação das atividades.

Ainda assim, a aplicação da tecnologia exige mediação humana, especialmente em decisões relacionadas às necessidades de cada turma, à avaliação do desenvolvimento dos alunos e à escolha de estratégias de ensino.

## Experiências em sala de aula

No Centro de Ensino Médio Integrado à Educação Profissional de Taguatinga, no Distrito Federal, o professor Jaime Guilherme de Oliveira utiliza inteligência artificial em aulas de computação gráfica para estudantes entre 14 e 18 anos.

O docente passou por cursos e formações oferecidos pela Escola de Formação Continuada dos Profissionais da Educação do DF, incluindo conteúdos sobre linguagens digitais e uso prático da IA. Entre as aplicações adotadas estão a preparação de materiais para aulas, planejamento de atividades, produção de avaliações adaptadas para alunos com neurodivergências e desenvolvimento de jogos educativos.

Um dos projetos criados pelo professor é o jogo interativo Arena ABNT, elaborado com apoio do ChatGPT para apresentar, de forma lúdica, regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas voltadas à produção de trabalhos acadêmicos.

A discussão sobre IA nas escolas também envolve o combate ao uso da ferramenta apenas como atalho para a realização de tarefas. A orientação é que estudantes desenvolvam análise, síntese, pesquisa, argumentação e capacidade de verificar informações, além de reconhecer riscos como desinformação, golpes digitais e exposição indevida de dados.

## Diretrizes nacionais

O Ministério da Educação informou que prepara uma resolução sobre o uso de inteligência artificial na educação. A norma deverá estabelecer orientações para ampliar o emprego pedagógico da tecnologia, preservar a autonomia docente e reforçar a proteção dos estudantes.

Segundo o MEC, o objetivo é criar parâmetros nacionais para que redes de ensino e gestores adotem ferramentas de IA de maneira segura, inclusiva e responsável.

Na área de conectividade, a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas acompanha a infraestrutura das escolas públicas de educação básica. Em julho, 108.658 unidades tinham conexão dentro dos parâmetros considerados adequados, nos níveis 4 e 5 do Indicador Escolas Conectadas.

O número corresponde a 78,7% das 138.086 escolas monitoradas pelo programa.

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