Pesquisadores do Brasil, Austrália, Alemanha e Estados Unidos identificaram um novo mecanismo de fossilização capaz de preservar tecidos moles e esteroides em um pterossauro do Cretáceo da Formação Romualdo, na Bacia do Araripe (CE).
O estudo, assinado por especialistas de 15 instituições internacionais, combina análises de geoquímica, microscopia e tomografia 3D. Foram empregadas tomografia, geoquímica isotópica, microscopia eletrônica e espectrometria de massa para caracterizar o material fossilizado.
As investigações mostram que bactérias oxidantes de enxofre desempenharam papel decisivo na mineralização rápida do exemplar. A decomposição inicial do animal teria gerado microambientes químicos que favoreceram microrganismos específicos. Estes microrganismos teriam desencadeado uma sequência de precipitações minerais — incluindo sulfatos, fosfatos e diversas fases de carbonato — que selaram o fóssil antes da degradação dos tecidos e biomoléculas.
O trabalho também reporta, pela primeira vez em um pterossauro, a detecção de traços de esteroides, moléculas orgânicas muito frágeis. Esses sinais bioquímicos oferecem subsídios para inferências sobre a ecologia alimentar do animal.
O exemplar pertence ao grupo Anhangueridae e apresenta cerca de 8 metros de envergadura. O fóssil está depositado no Museu de Plácido Cidade Nuvens. Entre os autores do estudo constam pesquisadores ligados ao Museu Nacional/UFRJ, à Universidade Regional do Cariri (URCA) e à Universidade Curtin, entre outras instituições.
A colaboração entre Museu Nacional/UFRJ e URCA, com apoio do Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação INCT Paleovert (financiado pelo CNPq), viabilizou a parceria internacional que resultou na pesquisa.
O artigo foi publicado no dia 18 na revista iScience.



