Quem visita o Rio de Janeiro costuma incluir Cristo Redentor, Pão de Açúcar e a orla da zona sul. Nos últimos anos, porém, a chamada Pequena África tem ganhado espaço nos roteiros por concentrar marcos da cultura afro-brasileira.
Localizada à beira da Baía de Guanabara, a área reúne o Cais do Valongo, reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 2017 por ter sido o maior porto de desembarque de africanos escravizados nas Américas.
No Píer Mauá, a Feira Preta Festival encerrou-se no domingo (31) após três dias de programação com debates, shows, feira de negócios e anúncios de projetos. O evento contou com a participação de representantes de organizações como Diáspora Black e do espaço de economia colaborativa Preta Hub.
O território abriga também o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), o Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos e a Pedra do Sal, que integram o Circuito Histórico e Arqueológico de Celebração da Herança Africana. Ali também está sediado o Afoxé Filhos de Gandhi, bloco que mantém a tradição do presente a Iemanjá no dia 2 de fevereiro e participa do carnaval da cidade.
Organizadores do festival relataram que muitos visitantes costumam passar pela Pedra do Sal, pelo Largo da Prainha e por museus como o MAR e o Museu do Amanhã, sem, contudo, conhecer o Cais do Valongo e a história ligada à formação do samba e do carnaval no local.
A edição da Feira Preta deste ano reuniu cerca de 130 empreendedores e recebeu aproximadamente 10 mil pessoas ao longo dos três dias.
Durante o encontro, especialistas e operadores de turismo defenderam a inclusão da Pequena África em guias e roteiros de grandes agências, além de investimentos em divulgação em pontos estratégicos, como os aeroportos da cidade. Também foi apontada a necessidade de integrar operadores, hotéis e guias aos roteiros já existentes.
Moradores e ativistas cobraram ações públicas para o território, com ênfase em sinalização, conservação, coleta de lixo e segurança. A avaliação comum foi de que a melhoria da infraestrutura beneficia tanto residentes quanto turistas.
O Ministério do Turismo tem apoiado iniciativas para transformar a Pequena África em roteiro internacional. Em 2025, o Rio recebeu o Black Travel Summit, encontro global de afroturismo que ampliou a visibilidade do tema.
Para fortalecer as ações locais, Diáspora Black e Feira Preta lançaram o edital Rede Memória Viva. O programa prevê repasse de capacitação e recursos a organizações da Pequena África, além do mapeamento de roteiros afro com potencial de desenvolvimento comunitário no país.



