terça-feira, julho 7, 2026
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Paixão nacional: consumo de chocolate deve crescer no país

O chocolate ocupa espaço consolidado no mercado brasileiro e a cadeia produtiva do país é rara no mundo por integrar desde os produtores de cacau até a indústria do chocolate.

Produção e consumo
Em 2024, a produção nacional chegou a 805 mil toneladas de chocolate. No ano seguinte, o volume subiu para 814 mil toneladas. Os números de 2026 ainda não foram fechados, mas há expectativa de continuidade do crescimento.

O consumo per capita no Brasil é de cerca de 4 kg por ano. Em comparação, mercados como os dos Estados Unidos e da Europa registram consumos médios entre 9 kg e 10 kg por habitante, indicando potencial de expansão para o país.

Mercado interno e faturamento
A maior parte da produção destina-se ao mercado interno, com presença do produto em municípios de todas as regiões, apesar dos desafios logísticos impostos pelas dimensões territoriais do Brasil.

Segundo dados da Kantar/Ibope, o setor movimentou R$ 42,5 bilhões em 2025. O resultado foi impulsionado por chocolates finos, inovações e pela demanda ao longo do ano, além do período tradicional de Páscoa.

Comércio exterior
De acordo com o ComexStat, as exportações brasileiras de chocolate somaram 37,8 mil toneladas em 2025, gerando US$ 210,2 milhões. As vendas internacionais alcançaram cerca de 168 países. No mesmo ano, as importações do produto totalizaram 19,8 mil toneladas, com receita de US$ 227 milhões.

No primeiro trimestre de 2026, as exportações de chocolate atingiram 7,7 mil toneladas (US$ 47 milhões) e as importações totalizaram 4,7 mil toneladas (US$ 57 milhões), resultando em um saldo comercial positivo de cerca de 3 mil toneladas.

Quanto ao cacau bruto, as exportações de 2025 somaram 53,5 mil toneladas, equivalentes a US$ 603,1 milhões. As importações de cacau no mesmo período totalizaram 93,7 mil toneladas, com gasto de US$ 699,2 milhões. No primeiro trimestre de 2026, o país exportou 12,7 mil toneladas de cacau (US$ 108,4 milhões) e importou 32,9 mil toneladas (US$ 209,1 milhões).

Mercados e programas de incentivo
As vendas externas de chocolate concentram-se na América Latina, com destaque para Argentina, Chile e Paraguai, e têm crescido também rumo à Europa e ao Oriente Médio. Há iniciativas de promoção de produtos com maior percentual de massa de cacau e com ingredientes típicos brasileiros, desenvolvidas em parceria com a Apex-Brasil para abrir mercado a pequenos fabricantes.

Emprego e Páscoa
As indústrias associadas à Abicab empregam aproximadamente 450 mil pessoas. A temporada de Páscoa é responsável por uma parcela significativa da geração de trabalho temporário: entre a Páscoa de 2025 e a de 2026, as vagas temporárias passaram de 9.946 para 14.558. No período da Páscoa de 2026, foram lançados mais de 130 novos produtos pelo setor.

Estrutura associativa
A Abicab reúne a maior parte das fabricantes do setor: representa cerca de 96% dos principais produtores de chocolate, 62% dos fabricantes de amendoim e 68% das indústrias de balas, concentrando praticamente todas as marcas de chocolate disponíveis no mercado nacional.

Agricultura familiar e cadeias locais
Na região da Bacia do Rio Salgado, a safra 2024/2025 foi registrada em torno de 80 mil toneladas de cacau vendidas a R$ 1.100 a arroba. Produtores locais apontam que o preço pago pela indústria atualmente está na casa de R$ 330 por arroba e que a próxima safra, com início previsto para setembro, poderá influenciar esses valores, sujeitos às condições climáticas.

A Coopfesba, cooperativa que reúne agricultores familiares, criou em 2010 a Bahia Cacau, primeira fábrica de chocolate originada da agricultura familiar no país, localizada em Ibicaraí (BA). A unidade produz chocolates com teor de massa de cacau entre 35% e 70% e incorpora insumos regionais como cupuaçu. Os produtos chegam a estados como São Paulo, Rio Grande do Sul, Goiás e ao município de Maricá (RJ). A primeira exportação da Bahia Cacau ocorreu no ano passado, com rumo a Portugal.

Regulamentação
A Lei 15.404/2026, sancionada em maio de 2026, define características e percentuais mínimos de cacau para produtos derivados, e exige a informação do índice total de cacau nos rótulos. A norma abrange produtos nacionais e importados comercializados no Brasil e entrará em vigor em 7 de maio de 2027, aplicando-se aos diferentes agentes da cadeia produtiva e de comercialização.

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