O economista Francisco Lafaiete de Pádua Lopes, conhecido como Chico Lopes, morreu na quinta-feira (7) no Rio de Janeiro. Nascido em 1945, ele estava internado no Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo. A família confirmou o óbito em comunicado divulgado na sexta-feira (8). A unidade de saúde não informou a causa da morte.
Formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Chico Lopes teve mestrado na Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) e doutorado pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.
Ao longo da carreira acadêmica, foi professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e da Universidade de Brasília (UnB). Também fundou a consultoria Macrométrica.
No setor público, atuou no Ministério da Fazenda em 1987. Foi diretor do Banco Central entre 1995 e 1998 e exerceu a presidência interina da instituição em janeiro e fevereiro de 1999, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Em março de 1999, deixou o Banco Central, sendo sucedido por Armínio Fraga.
Sua gestão no BC coincidiu com a transição do regime de câmbio administrado para o câmbio flutuante e com a crise cambial daquele período. A atuação do banco incluiu uma operação de apoio aos bancos Marka e FonteCidam, que resultou em prejuízos para a instituição e motivou investigação por meio de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Financeiro.
O Banco Central registrou pesar pela morte e ressaltou que uma das contribuições mais duradouras de Chico Lopes foi a criação e institucionalização do Comitê de Política Monetária (Copom), órgão responsável pela condução da política monetária e pelas decisões sobre a taxa Selic.
Em 2019, o Banco Central publicou um depoimento autobiográfico com relatos sobre a trajetória pessoal e profissional do economista. Ao longo da vida, Chico Lopes participou de debates sobre planos de combate à inflação, como Cruzado e Bresser, e teve papel nas discussões que levaram à consolidação do Real.
O velório ocorrerá neste sábado (9) no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro. A cerimônia começa às 13h e a cremação está marcada para as 16h.
Chico Lopes deixa a esposa, Ciça Pugliese, com quem foi casado por mais de 40 anos, três filhos e sete netos.
Correção: a matéria foi atualizada às 14h15 para ajustar a data do falecimento; informação do hospital indicou que ele faleceu na quinta-feira (7), e não na sexta-feira.



