# Desenrola 3.0 prevê renegociação de até R$ 90 bilhões em dívidas antigas
Instituições financeiras poderão apresentar até R$ 90 bilhões em créditos inadimplidos para a primeira fase do Desenrola 3.0. O edital para habilitação de bancos, financeiras e fundos interessados em oferecer carteiras de dívidas à União deve ser divulgado nesta quinta-feira.
A etapa inicial será voltada aos credores e não representa, por enquanto, uma abertura para que consumidores negociem débitos. As instituições terão cinco dias úteis para informar o volume de dívidas que pretendem incluir no programa, separadas por faixas de renda dos devedores.
O governo federal prevê realizar um leilão para adquirir parte dessas carteiras, priorizando dívidas de pessoas de menor renda e de microempreendedores individuais (MEIs). Se a quantidade de débitos nesse grupo ficar abaixo do esperado, poderá haver compra de carteiras ligadas a faixas de renda mais altas.
Pelas regras previstas, os credores deverão aceitar desconto mínimo de 90% sobre o valor das dívidas. Assim, caso todo o montante de R$ 90 bilhões seja adquirido, o custo máximo estimado para a União será de R$ 9 bilhões.
A compra, porém, não deverá abranger necessariamente todas as dívidas apresentadas. A Fazenda pretende fixar um limite orçamentário para o leilão e estimular a concorrência entre os credores, o que pode elevar os descontos oferecidos acima do percentual mínimo exigido.
O processo terá quatro etapas: publicação do chamamento público, envio das carteiras elegíveis, análise dos valores e perfis dos devedores e realização do leilão. A previsão é de que a disputa ocorra em novembro, embora possa ser transferida para o início de dezembro.
O Desenrola 3.0 foi instituído por medida provisória assinada em setembro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A iniciativa prevê que a União compre dívidas antigas para permitir a renegociação posterior com consumidores.
Poderão entrar no programa débitos originais de até R$ 10 mil, com atraso entre 720 e 1.645 dias — período de cerca de dois a quatro anos e meio. Estão incluídas dívidas de cartão de crédito, nas modalidades rotativa e parcelada, além de crédito pessoal sem desconto em folha.
As regras também permitem a inclusão de débitos de pessoas físicas e MEIs, desde que atendam aos critérios definidos pelo programa.
No lançamento da medida, o governo estimava até R$ 150 bilhões em dívidas potencialmente elegíveis, com custo aproximado de R$ 15 bilhões. A projeção atual de R$ 90 bilhões corresponde ao volume esperado para a primeira chamada aos credores.
Depois do leilão, os descontos obtidos pela União deverão ser repassados aos devedores durante a renegociação. Será possível quitar os valores à vista ou parcelar os pagamentos, com incidência de juros nas operações parceladas.
Taxas, prazos e demais condições ainda serão definidos pelo Conselho Monetário Nacional e por regulamentações posteriores. Até a divulgação dessas regras, consumidores não precisam procurar bancos ou instituições financeiras para aderir ao programa.



