# Alopecia areata atinge cerca de 2% da população mundial e pode causar perda total dos pelos
A alopecia areata é uma doença autoimune que afeta aproximadamente 2% da população mundial, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). A condição ocorre quando o sistema imunológico ataca os folículos pilosos, provocando a queda de cabelos e pelos em diferentes partes do corpo.
A doença pode surgir em qualquer fase da vida e costuma se manifestar em episódios. Em alguns casos, os fios voltam a crescer nas áreas afetadas, mas novas crises podem ocorrer posteriormente.
Há três principais formas de apresentação: a localizada, com falhas em regiões do couro cabeludo; a alopecia areata total, marcada pela perda de todos os cabelos da cabeça; e a forma universal, quando há ausência de pelos em todo o corpo, incluindo sobrancelhas, cílios e barba.
O diagnóstico é clínico e realizado por dermatologistas durante a avaliação das áreas sem pelos. Até o momento, não há exames laboratoriais ou de imagem específicos capazes de confirmar a doença. Como a alopecia não provoca feridas, cicatrizes ou lesões no couro cabeludo, a principal característica é a ausência de cabelo ou pelos.
A condição tem componente genético e pode estar associada a alterações no sistema imunológico. Quadros infecciosos, outras doenças autoimunes e períodos de estresse intenso podem estar entre os fatores relacionados ao desencadeamento de episódios, embora a doença não seja classificada como psicossomática.
## Tratamento exige acompanhamento médico
O tratamento varia conforme a extensão e a evolução da alopecia. Entre as alternativas utilizadas estão corticoides orais, injetáveis e tópicos, além de cremes e pomadas. O uso prolongado de corticoides, no entanto, pode causar efeitos adversos e demanda monitoramento médico, com exames periódicos.
A revisora de livros Beatriz Santos recebeu o diagnóstico após a identificação de uma falha no couro cabeludo, em 2008, quando tinha entre 15 e 16 anos. Ela passou por tratamentos com corticoides orais e aplicações no couro cabeludo, mas enfrentou efeitos colaterais.
Após cerca de um ano de tratamento, um exame de densidade óssea apontou osteopenia, condição caracterizada pela redução gradual da massa óssea. Em 2012, quatro anos depois do primeiro episódio, Beatriz perdeu todos os cabelos e pelos do corpo, passando a conviver com a alopecia areata universal.
A profissional do setor imobiliário Juliana Fernandes também teve os primeiros sinais da doença ainda na infância. A primeira falha foi percebida quando ela tinha 10 anos. Durante anos, os tratamentos favoreceram o crescimento dos fios, mas os medicamentos deixaram de apresentar resultado quando ela chegou à adolescência. Hoje, aos 45 anos, ela convive há mais de duas décadas com a forma universal da doença.
## Redes de apoio auxiliam pacientes e familiares
Em São Paulo, o Alopecia Areata Grupo de Apoio reúne pacientes e familiares uma vez por mês e mantém um canal de comunicação pelo WhatsApp. A iniciativa foi criada pela dermatologista Enilde Borges Costa para acolher pessoas diagnosticadas com a doença e facilitar o acesso a informações.
Juliana participa da organização e do acolhimento de novos integrantes. O grupo recebe frequentemente pacientes e familiares, especialmente mães de crianças e adolescentes diagnosticados com alopecia.
A psicóloga Regina Ramos acompanha o filho, que teve o primeiro episódio de queda de cabelo aos 8 anos. A condição evoluiu rapidamente para a forma universal, sem resposta aos tratamentos realizados desde então. A família acompanha estudos sobre a doença e prioriza o cuidado com a saúde emocional do adolescente.
No Paraná, Paloma Monteiro da Lava acompanha o tratamento do filho Levi, de 5 anos. A queda dos cabelos começou após um episódio de febre alta que durou dois dias, e o diagnóstico foi confirmado em maio de 2025. A doença também evoluiu para a alopecia areata universal.
Levi está no terceiro tratamento dermatológico e, até agora, não apresentou efeitos colaterais. A família decidiu que a medicação será interrompida caso haja impactos à saúde da criança.
Para lidar com a ausência de cabelos e pelos, o menino utiliza itens como boné, óculos escuros e uma fralda de pano, usada para evitar que o suor atinja os olhos. A mãe também criou a campanha “Eu sou mais que aparência”, voltada à divulgação de informações sobre a alopecia e ao combate à desinformação.
Entre os desafios enfrentados pela família está a adaptação de atividades escolares. Após uma experiência negativa com uma brincadeira relacionada a penteados, a escola passou a discutir outras opções de atividades para evitar constrangimentos.
## Projeto de lei tramita na Câmara
Desde 2022, a Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 801/2022, que propõe incluir a alopecia areata no Estatuto da Pessoa com Deficiência. A matéria já foi aprovada pela Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência e aguarda discussão na Comissão de Saúde.
A proposta prevê ampliar a proteção legal e o acesso a políticas públicas para pessoas diagnosticadas com a doença, considerando os possíveis efeitos emocionais e psicológicos relacionados à perda de cabelo e pelos.
Em São Paulo, uma lei municipal aprovada em 2025 estabeleceu um protocolo de atendimento para pacientes com alopecia areata. Entre as medidas estão a realização de exames e o encaminhamento para acompanhamento psicológico gratuito.



