sábado, julho 4, 2026
InícioSaúdeGoverno amplia quadro do SUS com 760 profissionais de enfermagem obstétrica

Governo amplia quadro do SUS com 760 profissionais de enfermagem obstétrica

O Ministério da Saúde vai reforçar o Sistema Único de Saúde (SUS) com 760 profissionais em formação no curso de Especialização em Enfermagem Obstétrica oferecido pela Rede Alyne. O curso, voltado a profissionais com pelo menos um ano de atuação na atenção à saúde da mulher no SUS, teve início em novembro de 2025.

O investimento federal no projeto é de R$ 17 milhões. A iniciativa visa ampliar a oferta de especialistas para fortalecer a atenção obstétrica e neonatal no país.

A formação é coordenada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com 38 instituições, e conta com o apoio da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras (Abenfo).

Dados do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) apontam a existência de 13 mil enfermeiros obstétricos registrados no Brasil. Desse total, 46% (6.247 profissionais) têm vínculo com estabelecimentos cadastrados no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), o que indica limitação na capacidade de atendimento institucional.

Segundo levantamento da Abenfo de 2023, países cujo modelo de atenção é baseado na enfermagem obstétrica registram densidades entre 25 e 68 profissionais por 1.000 nascidos vivos. No Brasil, a densidade estimada é de cinco por 1.000 nascidos vivos.

O enfermeiro obstétrico é o profissional especializado em cuidados à mulher durante gravidez, parto e pós-parto. Entre as atribuições estão a realização de exames, assistência em partos vaginais naturais, cuidados ao recém-nascido e atuação integrada com a equipe médica para garantir segurança no atendimento.

A Rede Alyne foi lançada pelo governo federal em 12 de setembro de 2024, como reestruturação da Rede Cegonha, criada em 2011. A estratégia tem metas definidas para redução da mortalidade materna: corte de 25% no índice geral e de 50% na mortalidade materna entre mulheres negras até 2027. O nome da rede homenageia Alyne Pimentel, cuja morte por negligência médica resultou em condenação internacional do Brasil por morte materna.

No Rio de Janeiro, a implantação da Rede Alyne envolveu levantamento de dados, divisão do território estadual em regiões e participação dos municípios no planejamento das necessidades locais. A rede municipal conta com 13 maternidades e uma Casa de Parto, e a enfermagem obstétrica atua nessas unidades.

O incremento de 760 novos especialistas representa avanço na formação de profissionais, mas os dados disponíveis mostram que a quantidade ainda é insuficiente diante da demanda nacional e das diferenças de distribuição regional.

LEIA TAMBÉM

MAIS POPULARES