# Comunidade surda relata barreiras em atendimentos de saúde em Dourados
Pessoas surdas de Dourados relataram dificuldades de comunicação e falta de acessibilidade em serviços públicos de saúde durante reunião da Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Defesa do Consumidor da Câmara Municipal, realizada na quarta-feira (4).
O encontro foi promovido pelo vereador Franklin Schmalz (PT) e reuniu integrantes da comunidade surda, usuários da Central de Interpretação de Libras (CIL) e profissionais ligados ao atendimento.
Entre os principais problemas apontados está o horário reduzido de funcionamento da Central, que atende de segunda a sexta-feira, das 7h às 13h. Com isso, pessoas surdas enfrentam obstáculos para obter acompanhamento com intérpretes durante tardes, noites e fins de semana, inclusive em casos de urgência médica.
Participantes relataram que, diante da indisponibilidade do serviço, precisam recorrer a familiares, intérpretes voluntários e chamadas de vídeo para se comunicar em consultas e atendimentos emergenciais. Também foram registrados casos em que pacientes deixaram de ter apoio de interpretação mesmo diante da necessidade de atendimento médico.
Dados encaminhados pela Prefeitura em resposta a requerimento do vereador indicam que a CIL opera com dois intérpretes. Em 2025, o serviço realizou 1.123 atendimentos. De janeiro a março de 2026, foram contabilizados mais 250 atendimentos presenciais, virtuais e realizados fora da sede da Central.
A administração municipal informou que a CIL atua em articulação com órgãos públicos e equipamentos da rede de serviços. No entanto, não há plantão formal para atendimentos fora do horário regular. Em situações excepcionais, a comunicação ocorre entre a coordenação e os intérpretes.
A estrutura foi considerada insuficiente pelos participantes da reunião, especialmente para demandas que surgem fora do expediente. Segundo os relatos, profissionais chegam a prestar suporte por telefone ou videochamada de forma voluntária e sem remuneração adicional.
A reunião também tratou da procura pelo serviço por parte de pessoas surdas imigrantes residentes em Dourados. Pelo menos 20 imigrantes surdos já receberam atendimento da Central, que ainda é acionada por moradores de cidades vizinhas.
Outra reivindicação envolve a presença de intérpretes mulheres em consultas e procedimentos ginecológicos, para preservar a privacidade das pacientes.
Como encaminhamento, o vereador pretende levar as demandas ao Ministério Público Estadual ainda em novembro. Entre as solicitações estão a ampliação do horário de atendimento da CIL, a contratação de mais intérpretes e a criação de plantões remunerados para situações urgentes.
Também devem ser solicitadas a divulgação dos canais de contato da Central nas unidades de saúde e a capacitação de servidores, principalmente os que trabalham em hospitais, UPAs e unidades básicas de saúde.



