# Diagnóstico de esclerose múltipla pode levar mais de cinco anos para um quarto dos pacientes
Cerca de 26,6% das pessoas com esclerose múltipla no Brasil esperaram mais de cinco anos entre os primeiros sintomas e a confirmação da doença. Em 14,1% dos casos, o diagnóstico demorou ao menos uma década.
Os dados são de levantamento da HSR Health realizado em parceria com a Roche Farma e divulgado pela Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM) durante o Agosto Laranja, campanha de conscientização sobre a enfermidade. A pesquisa ouviu 368 pacientes em tratamento no país.
Antes de receberem o diagnóstico definitivo, 56,8% dos participantes relataram ter recebido uma identificação incorreta para seus sintomas. Em média, os pacientes passam por até quatro médicos e levam cerca de três anos até a confirmação da esclerose múltipla.
Para 36% dos entrevistados, a principal dificuldade no caminho até o diagnóstico está relacionada ao atendimento de médicos e outros profissionais de saúde. Outros 23% citaram obstáculos na realização de exames e investigações, como a ressonância magnética. A demora no processo foi apontada por 18%, enquanto 12% mencionaram os custos para obter o diagnóstico correto.
A esclerose múltipla é uma doença crônica, inflamatória e autoimune que atinge aproximadamente 40 mil brasileiros, segundo a ABEM. A condição afeta principalmente mulheres entre 20 e 40 anos.
Na doença, o sistema imunológico ataca a mielina, camada que protege as fibras nervosas e permite a comunicação entre o cérebro e o restante do organismo. O processo pode comprometer mobilidade, autonomia, rotina profissional e saúde mental. Sem considerar causas traumáticas, a esclerose múltipla é a principal causa de incapacidade neurológica entre pacientes jovens.
Os sintomas iniciais podem dificultar a identificação da enfermidade, pois se confundem com sinais de outras condições. Alterações visuais, dores, dormência, formigamento e fadiga estão entre as manifestações que podem ser atribuídas a outros problemas de saúde. Em alguns casos, esses sinais também melhoram temporariamente, o que contribui para o atraso no encaminhamento especializado.
O diagnóstico precoce é considerado importante para reduzir a possibilidade de danos permanentes no cérebro e na medula, além de retardar a progressão de limitações físicas.
## Tratamento e impacto na rotina
Embora não tenha cura, a esclerose múltipla conta atualmente com tratamentos capazes de controlar a evolução da doença. Na pesquisa, 48% dos pacientes informaram estar estáveis ou em remissão, e 39% declararam manter atividade econômica.
O acesso ao tratamento, porém, permanece como um obstáculo para parte dos pacientes. Do total de entrevistados, 41,2% afirmaram ter interrompido ou remarcado procedimentos e atendimentos devido a problemas como burocracia dos planos de saúde ou falta de medicamentos.
O levantamento também apontou efeitos relevantes na vida social, emocional e profissional. Cerca de 73,4% deixaram de realizar atividades desejadas por questões emocionais, enquanto 41,6% disseram evitar encontros sociais com frequência.
Na área profissional, 72,8% relataram prejuízos na renda ou nas oportunidades de crescimento. Outros 32,6% esconderam o diagnóstico no trabalho por receio de preconceito ou demissão. Além disso, 85,6% convivem com despesas mensais adicionais relacionadas à doença.
Ansiedade e depressão estão entre os problemas mais frequentes após o diagnóstico, somando-se às preocupações com a evolução da condição e às dificuldades de acolhimento enfrentadas durante o tratamento.



