segunda-feira, setembro 21, 2026

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Brasil realiza testes de plataforma para pesquisas em microgravidade espacial

**Brasil testa sistema de recuperação para pesquisas em microgravidade no RN**

O Brasil realiza, até 19 de setembro, uma nova fase de testes voltada à ampliação de pesquisas científicas em ambiente de microgravidade. A atividade ocorre no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim, no Rio Grande do Norte.

Batizada de Operação Potiguar 2, a missão avalia em voo o sistema de recuperação da Plataforma Suborbital de Microgravidade Recuperável (PSM-R). O equipamento será transportado pelo foguete de sondagem VS-30 V16, desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE).

A campanha envolve cerca de 160 militares e servidores civis, responsáveis pelas etapas de preparação, integração, lançamento e recuperação da carga útil. O período operacional começou em 31 de agosto e segue até 19 de setembro.

A principal meta desta segunda etapa é verificar o funcionamento do conjunto que permitirá o retorno da plataforma à superfície após o voo. Em 2024, a primeira fase da Operação Potiguar concentrou-se na validação de procedimentos e sistemas ligados ao lançamento.

A recuperação da estrutura permitirá examinar a plataforma e os equipamentos embarcados depois da missão. As informações coletadas deverão contribuir para a avaliação dos sistemas e para o planejamento de futuras experiências científicas em voos de microgravidade.

Esse ambiente oferece condições distintas das encontradas na Terra e pode ser empregado em estudos de materiais, dinâmica de fluidos, combustão, biologia, desenvolvimento de medicamentos e agricultura espacial.

O foguete VS-30 V16 mede cerca de 9 metros de comprimento, tem 600 milímetros de diâmetro e pesa aproximadamente 1,6 tonelada. As projeções da missão apontam que o veículo poderá alcançar altitude próxima de 100 quilômetros e percorrer cerca de 90 quilômetros. A PSM-R, que constitui a carga útil, tem massa estimada em 401 quilos.

A plataforma reúne módulos de experimentos, sistemas de serviço e controle, mecanismo de gás frio, anéis de balanceamento e um sistema de recuperação por paraquedas. Também conta com um mecanismo conhecido como ioiô, empregado para auxiliar no controle da velocidade de rotação antes da separação da carga útil.

Ligada ao Programa Microgravidade da Agência Espacial Brasileira, a PSM-R foi projetada para apoiar experimentos científicos e tecnológicos em trajetórias suborbitais e orbitais.

Durante o lançamento, os equipamentos embarcados serão monitorados por sistemas de telemetria e rastreamento. Após o retorno da carga, as equipes da operação analisarão os dados registrados.

O CLBI também coordena os procedimentos de segurança e o acompanhamento do foguete, com integração aos órgãos responsáveis pelo controle dos espaços aéreo e marítimo.

Inaugurado em 1965, o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno foi o primeiro empreendimento espacial do tipo na América do Sul. A unidade já participou de mais de 400 lançamentos de foguetes e realizou o rastreamento de mais de 3 mil veículos, incluindo missões do Ariane em cooperação com a Agência Espacial Europeia e operações ligadas ao Centro de Lançamento de Alcântara.

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